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O torturador

Publicado por Antonio Ângelo em Poesia
data: 06/03/2012

Pela janela a manhã derrama

sua gelatina clara no quarto

misturada a ruídos de motores e monóxido de carbono.

Sobre a mesa a miscelânea de papeis

contas vencidas e a vencer

ofertas de promoções

liquidações de inutilidades.

 

Há dias sem retirar o pijama

quem é este que soçobra entre vazios

fumando um cigarro após o outro?

Reflete-o o espelho partido

cabelos encanecidos

grandes bolsas sob os olhos

dentes malcuidados.

 

Repouso: quando há de ter?

A lápide o aguarda

sem nome, sem flores

apenas um número.

Próximo ao buraco negro

que o há de tragar

rumina ódios e se encolhe à sombra

abatido por lembranças de deserções

e torturas infligidas a inocentes.

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