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Mentiram para nós…

Publicado por Antonio Carlos Santini em Crônicas Culturais, Política Nacional
data: 07/08/2017

mentiram para nós

Disseram para nós que a República iria cortar pela raiz os privilégios da nobreza imperial e o luxo da aristocracia dominante. O rei foi deposto, os barões exilados, e o povo continua passando fome, enquanto os deputados depositam dólares nos paraísos fiscais.

Disseram para nós que o jugo dos Dez Mandamentos era opressor e impedia a liberdade do homem. Em lugar do Decálogo, milhares de leis invadem a área do arbítrio humano, tornando assunto do governo a vida de família, a educação dos filhos e o parto das mães.

Disseram para nós que o casamento cristão era uma gaiola sufocante e o amor-livre trocaria a guerra pelas flores. John Lennon morreu e os bordéis estão cheios de escravos.

Disseram para nós que, se estudássemos bastante em nossa juventude, teríamos um bom salário na idade adulta. O IBGE informa que o Brasil tem 13 milhões de desempregados.

Disseram para nós que um diploma universitário seria a senha infalível para iniciar uma carreira brilhante. Os diplomados estão vendendo pipoca na esquina e trabalhando como amanuenses.

Disseram para nós que os descontos mensais em nosso salário seriam a garantia da aposentadoria digna e de uma velhice tranquila. Os aposentados estão fazendo fila para ganhar uma cesta básica da caridade alheia.

Disseram para nós que a escola deveria deixar de lado a poesia e a filosofia, para ensinar técnicas de trabalho. As máquinas e os robôs estão fazendo o trabalho que não depende de pensar, enquanto os técnicos se tornam mão de obra obsoleta.

Disseram para nós que devíamos esperar que o bolo crescesse, e a seguir seria partilhado com os pobres. As multinacionais não abrem mão do bolo e usam seus lucros para coroá-lo com cerejas cor de sangue.

Disseram para nós que o progresso viria como resultado da exploração das riquezas naturais. O fumo negro nos ares, o lodo químico nos rios, as ilhas de plástico nos oceanos anunciam a implosão do planeta.

Disseram para nós que, na República, todos são iguais perante a lei. Inexplicavelmente, o favelado leva chumbo, o indígena é expulso de suas terras, o operário é espoliado de seus direitos.

Enquanto isto, de seu trono, Pôncio Pilatos pergunta:
- O que é a verdade?

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Antonio Carlos Santini - Licenciado em letras – Português e Francês. Professor de Artes e Ciências Humanas. Evangelizador, compositor, autor de vários livros de catequese e poesia/ Licenciado en letras - Portugués y Francés. Profesor de artes e ciencias humanas. Es evangelizador católico, compositor de músicas religiosas, autor de varios libros de catequesis y poesía. Residente em Belo Horizonte MG
2 Comentários
  1. Marli

    Ladrões atacam pessoas indefesas nas ruas, não podemos mais sair de casa, os comerciantes se recusam a emitir Notas Fiscais e pagar impostos, no governo supersalários imorais principalmente no Judiciário, no Legislativo, verbas “indenizatórias” para comprar paletó, livro, planos de saúde nababescos para as famílias dos parlamentares. A culpa é de quem? Todo esse poder emana do voto que também é fisiológico, pois o eleitor vota não como um cidadão consciente, mas com o mesmo interesse fisiológico visando conseguir vantagens individuais e familiares, empregos públicos, contratos com o governo, etc. Moral da história: cada um colhe o que planta!

  2. José Jésus Gomes de Araújo

    “A culpa é de quem?” Não é tão simples responder. As massas eleitoras também foram condicionadas a certa visão da realidade; há um convencimento subjetivo. Podemos responsabilizar, em primeiro plano, a mídia, como difusora da ideologia dominante (“Quem controla o pensamento da sociedade controla a sociedade). Mas quem ou que está por traz da mídia?

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