1º de Maio, Dia do Trabalhador

Publicado por Sebastião Verly 29 de abril de 2026
Getulio e o 1o de Maio

Getulio e o 1o de Maio

O Dia do Trabalhador nasceu da coragem de milhares de homens e mulheres que, em 1886, em Chicago, enfrentaram repressão e violência para exigir uma jornada justa de 8 horas. A mobilização foi duramente reprimida, culminando em conflitos e mortes. Desde então, o 1º de Maio tornou-se símbolo internacional de resistência, conquista e esperança…

Três anos depois, em 1889, durante um congresso da Segunda Internacional Socialista em Paris, o 1º de maio foi declarado o Dia Internacional dos Trabalhadores, em homenagem aos protestos de Chicago.

Muitos países em todos os continentes celebram o dia 1.º de maio como Dia do Trabalho ou  Dia Internacional do Trabalhador.

Em países onde o dia 1º de maio não é feriado oficial, manifestações são organizadas nesta data, em defesa dos direitos dos trabalhadores.

No Brasil, essa data carrega marcas profundas da luta operária, da greve geral de 1917 à conquista da CLT em 1943, passando por décadas de mobilização e enfrentamento. Cada direito inscrito na lei foi fruto de suor, união, organização e sacrifício da classe trabalhadora.

Com a chegada de imigrantes europeus no Brasil, as ideias de luta pelos direitos dos trabalhadores vieram junto. Em 1917, houve uma Greve geral. Com o crescimento do operariado, o dia 1º de maio foi declarado feriado pelo presidente Artur Bernardes em 1924 como consequência de protestos populares e pressões de movimentos operários, muitos deles impulsionados por imigrantes europeus.

Décadas depois, o então presidente Getúlio Vargas passou a usar o 1º de maio como uma vitrine de seu governo, realizando anúncios importantes e aproximando-se das classes trabalhadoras.

Em 1943, justamente em um 1º de maio, ele sancionou a CLT, Consolidação das Leis do Trabalho, um marco na regulamentação dos direitos dos trabalhadores no país. Em 1945 Getúlio inspirou a criação do PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, que disputava a influência sobre as classes trabalhadoras com o Partido Comunista Brasileiro.

Conhecida em diferentes países como Dia do Trabalho, Dia do Trabalhador ou até Festa do Trabalho, a data carrega simbolismos e significados variados, mas todos ligados à valorização das conquistas sociais e trabalhistas.

Especialistas apontam que, nas últimas décadas, o espírito de mobilização foi substituído por celebrações, eventos festivos, shows, festas e discursos de reivindicações, destoando, em parte, do caráter original da data, que era sim um dia de luta e reflexão sobre as condições de trabalho, desigualdades e direitos.

Ainda assim, o Dia do Trabalhador segue como um marco importante na história das relações de trabalho.

Hoje, mais uma vez, vemos forças contrárias tentando retirar ou restringir direitos. A redução da jornada, a defesa da aposentadoria digna, a igualdade salarial entre homens e mulheres, a saúde e segurança no trabalho – todas essas pautas continuam atuais e urgentes.

As entidades patronais se unem ameaçando restringir ou retirar direitos dos trabalhadores. Bastou ser levantada a bandeira propondo a redução da jornada de trabalho, 6 x 1:  reduzir a escala de 6 dias de trabalho e 1 de descanso semanal remunerado, para que as forças conservadoras se arvorassem contra todos os direitos até agora conquistados a duras penas pelos trabalhadores brasileiros. Políticos representantes dos interesses patronais investem contra a CLT deixando o trabalhador a mercê de contratos impostos pelos patrões.

A posição contrária aos trabalhadores pode ser resumida na fala do ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência da república:

“Zema chama de populismo a campanha para diminuir a escala 6×1 e propõe substituição da CLT por acordo entre empregados e patrões em cada oportunidade. Acabar com a CLT é difícil, devido a questões de interesses corporativistas, Justiça do Trabalho, etc. Mas nós vamos propor novas modalidades de relações de trabalho.” É realmente a proposta do gato para o rato.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas mandou proibir ato sindical na avenida Paulista no dia 1º de Maio.

Nas manifestações previstas, as principais reinvindicações são a redução da jornada sem redução salarial, menos juros, mais empregos, igualdade salarial entre homens e mulheres, aposentadoria digna, saúde e segurança no trabalho.

O 1º de Maio não é apenas um dia de festa. É um dia de consciência, de engajamento, práxis e de reafirmação da unidade dos trabalhadores. É o momento de lembrar que toda riqueza nasce das mãos e das ideias de quem trabalha. Como disse Karl Marx: “O homem que trabalha acumula riquezas, porque o trabalho, ainda que mal remunerado, constitui sempre um capital depositado”.

O 1º de maio tem de ser uma data propícia para estimular a consciência, o engajamento e a práxis dos trabalhadores na defesa dos direitos conquistados.

Essa conquista universal exige o compromisso de união e defesa de todos os trabalhadores no decorrer do dia a dia, além do DIA DO TRABALHADOR, porque a força do Trabalhador está justamente na sua união, na manifestação coletiva, porque o trabalhador sozinho fica a mercê da ganância e da busca do lucro pelos empregadores.

O dia 1º DE MAIO, DIA DO TRABALHADOR, tem de ser um chamado à união e à luta através dos slogans relembrados nesta data histórica: “Direitos não se negociam, se defendem! A união faz a força! Trabalhador unido, jamais será vencido!”.

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