Cotidiano

Brincar de governo

Publicado por Carlos Scheid
Data da publicação: 11/12/2015

Quando éramos crianças, nós costumávamos brincar de bandido e mocinho. Curiosamente, ninguém queria ser bandido. Éramos todos inspirados pelos “faroestes” americanos, onde o mocinho vestia roupa branca, de chapéu branco sobre um cavalo branco. O importante era ser poderoso. Crescemos um pouquinho e fomos jogar o “Banco Imobiliário”, aquele joguinho iniciático à vida do capital. Logo aprendemos a trapacear e a...

E o mundo mudou…

Publicado por Carlos Scheid
Data da publicação: 06/11/2015

Quando eu era criança, se alguém falasse sozinho na rua, era manietado e, após a devida embalagem na camisa de força, mandado para internar em Barbacena. Hoje, milhões de pessoas falam sozinhas, na rua, e todos acham normal. Falam ao celular, a maioria. Mas não é por isso que o mundo mudou. Acabo de ver a entrada em campo da seleção sub 17 da Inglaterra. Dos onze atletas imberbes que representam o bravo povo anglo-sax...

A cura que dói

Publicado por Carlos Scheid
Data da publicação: 22/10/2015

Quem conheceu o Dr. Márvio sabe que ele foi o cirurgião número1! Jamais perdeu um paciente. Quando um caso parecia sem solução, os colegas empurravam para ele a batata quente. Ele ria baixinho e atacava, sem um tremor nas mãos. Tratava-se de uma vocação precoce. Desde a infância, Marvinho causava impacto na família quando era flagrado com um sapo já estripado ou um preá transformado em exemplar anatômico. Os pais ...

Abraço de Tamanduá

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 09/10/2015

Nos dias em que passa em seu sítio Estação, no município de Abaeté, Nelson, marido de minha sobrinha Cida, experimentando a vida de aposentado, caminha ligeiramente, entre 5 e 7 horas da manhã. Vai de sua casa até um aeroporto particular que fica a alguns quilômetros da sua porteira. Nelson dá continuidade, na roça, às caminhadas que faz, obrigatoriamente, na cidade. Na manhã de terça feira, dia 6 de outubro, Nels...

A mão na boca

Publicado por Carlos Scheid
Data da publicação: 11/05/2015

Se minha mãe fosse viva, estaria repetindo a frase de sempre: - Tira a mão da boca, menino! Não para mim, é claro, mas para os jogadores de futebol e os senhores congressistas. A moda do momento – vê-se na televisão diariamente – é falar com a mão na boca. Dizem que é para impedir a leitura labial. Ora, se não é para entender, por que é que abrem a boca? - É que não convém que suas palavras venham a público...

Enchente de São José

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 24/03/2015

Meu irmão Verlim, do alto seus 75 anos, está internado no Hospital Santa Casa, em Montes Claros. De lá me conta, pelo telefone sobre a enchente de São José. Choveu três dias quase sem parar. Estava feliz. Disse mesmo que foi um pedido seu atendido pelo santo do dia 19. Desde novinho ele que já acreditava chamar José, nos primeiros dias escolares, descobriu que seu primeiro nome não era José, mas sua fé no Santo do d...

De passagem

Publicado por Edmeia Faria
Data da publicação: 21/10/2014

─ Sabe se o ponto do meu ônibus é este aqui? Ou é o próximo? ─ Qual é o ônibus ? ─ Aquele verdinho que tem escrito HOSPITAIS. ─ O número? ─ Sei não. Eu não enxergo direito. Só leio o nome. Mais fácil. ─ Precisa saber o número, pra ver se vai pra onde a senhora quer ir. ─  É um que tem ponto na Goiás, quase com Guajajaras. É lá que eu desço. ─ Tem que saber o número. ─ Eu não guardo núm...

Depois do vendaval

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 09/09/2014

Belo Horizonte viu pela primeira vez uma ventania de 113 quilômetros por hora. Foi na madrugada, virando dia, que a brisa suave das alterosas cedeu a vez ao vento mais forte que já vimos por aqui. Vento de paz trouxe uma chuvisqueira que apagou incêndios e aumentou nossas esperanças de córregos e rios cheios. Renascem as esperanças. Mas a ventania fez uma mudança: retirou das árvores as folhas amarelecidas e algumas qu...