
– Estou pensando em ficar noivo…
– De quem, Flausino?
– Da Maguilinha.
– De quem?!
– A Joana D’Arc. Ela tem o apelido de Maguilinha.
– Hum… Que apelido mais estranho!
– É que ela é campeã universitária de boxe tailandês. Aquele que aceita golpes com os pés.
– Sei não. Você parece tão diferente! Magrela, amigo dos livros, óculos de intelectual…
– Eu também tenho pensado nisso. Será que vai dar certo?
– Bem, Fafá, os psicólogos falam muito em “afinidades”… Por exemplo: qual é o seu animal de estimação?
– Sou criador de passarinhos.
– E a Mag… quer dizer, a Joana D’Arc?
– Ela adora gatos.
– Gatos? Hum… sei não…
– Mas será que um casamento pode dar errado só por causa de gatos e passarinhos?
– Teoricamente, não. Mas, na prática, a teoria costuma ser outra. Já houve separação com divórcio e tudo, só porque ele apertava o tubo de pasta de dentes no meio. Ela apertava na ponta…
– É mesmo um mistério essa tal de “afinidade”…
– Ora, você sabe que o principal motivo alegado nas separações é a tal “incompatibilidade de gênios”…
– De fato. E pensar que no tempo da vovó, o pai chamava a filha e dizia: “Filha, se arrume e vá lá na sala pra você conhecer o seu noivo”.
– Bons tempos! O casamento era considerado uma coisa séria demais para depender de sentimentos e paixões!
– Mas e eu? Como fico? Que conselho me dá?
Ainda insisto na questão das “afinidades”. Os traços-de-união. Os pontos em comum. A visão do mundo. Por exemplo, qual a sua religião?
– Sou católico, mas não praticante.
– E ela?
– É de família espírita, mas frequenta a Igreja Batista. Na verdade, anda namorando a Universal. Futuro incerto…
– Hum… sei não… E na hora de encaminhar os filhos?
– Pois é. Por isso mesmo estou pedindo a sua opinião.
– E o futebol? Você é atleticano, não é?
– De papão amarelo! Tenho sofrido horrores com a fase atual do meu time!
– E ela?
– A Maguilinha? Faz parte da “Máfia Azul”. Cruzeirense doente!
– Hum… sei não…
– Pô! É só isso que você sabe me dizer? Sei não? Sei não? Por que não me dá um conselho prático?
– Bem, se é isso que você quer, lá vai: venda os passarinhos, comece a treinar caratê, leia uma enciclopédia sobre gatos de raça, descubra o jeito certo de apertar a pasta de dentes, passe para a Igreja Universal e compre uma camisa do Cruzeiro. Tudo muito prático…
– ’Pera aí! Aí eu deixo de ser eu mesmo! Vou ficar igual ao primo dela, o Augusto. Aliás, eles andam juntos pra todo lado!
– Hum… sei não…
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