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Realismo Contemporâneo

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 28/02/2011

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Escrevo de forma oblíqua

(de outro modo não escreveria)

Escrevi para uma mulher que não me amou

(arrependimento não mata, hoje eu sei,

está escrito que poemas não se apagam).

Escrevo para rir e para chorar

(muito mais para não ser esquecido).

Escrevo como o menino que cai da árvore

(como o cão que lambe suas feridas

e volta ao pulgatório com o rabo entre as pernas).

Escrevo por equilíbrio (em desequilíbrio)

para ter um minuto de silêncio comigo.

Escrevi palavras vazias, frias e cortantes

(era como estar no fio da navalha, em guerra

com tudo o que havia por dizer, porém não dito).

Escrevo por uma gota de liberdade, para

respirar, para ter paz (a ilusão é a última

que morre, se é que morre).

Escrevi para mudar o mundo

(mas o mundo é que tem me mudado – para pior).

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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