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Os obscuros

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 26/09/2011

Eu e o velho, a minha sombra

sobre as pedras da rua caminhavámos

noite e dia, eternamente.

 

Vamos obscuros a viajar

por estradas antigas vastas do mundo

eu e ele, envelhecendo.

 

Unha e carne, eu, meu velho,

como fôssemos imagem e semelhança,

tal pai, tal filho.

 

O olho ruim e a calva brilhante,

a dolorida ossatura empenada ao extremo

a furiosa calma torturante.

 

Eu e o velho, um em dois

para ao final um ao outro suceder,

rebeldes, teimosos.

 

Vai um, outro depois

também irá, depois tudo será apagado

e faremos silêncio.

 

Nenhuma poesia, palavra

somente o filho e o pai no eterno cativeiro

do mundo sem fundo.

 

A terra nos traga finalmente

até a nuvem o rio a paragem infinita

o catre das lembranças.

 

Eu e o velho, onde estará?

Para onde irei desta jornada encontrá-lo?

Tanta a vida. Para o nada.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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