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Mercado Imobiliário: para comprar, aguarde!

Publicado por Sebastião Verly em Tendências e Mercados
data: 15/04/2011

Para qualquer compra de imóveis aconselho aos interessados que aguardem mais alguns meses. A primeira sugestão é aguardar o feirão da Caixa Econômica Federal que, em Belo Horizonte será no dia dos namorados, 11 e 12 de junho de 2011. Pode ser ocasião para ganhar e dar um bom presente.

O boom do setor imobiliário dá sinais de estertores. As obras em andamento são apressadas com a alardeada contratação de profissionais e subempreiteiros. As que ainda não foram iniciadas, titubeiam à espera de novos sinais. Sim, porque no sistema de mercado prevalece mais o instinto que a razão, não existe um planejamento respeitável, as empresas atuam na base das tentativas, acertos e erros, na certeza de que se tudo der errado o Governo, com nosso dinheiro, meu, seu e de milhões de outros brasileiros socorrerá esses milionários para que não causem desemprego. Só rindo para não chorar!

O mercado é perverso e imperscrutável, pelo menos aparentemente. Ninguém de bom senso explica como, de uma hora para outra, um imóvel que valia 50.000 reais em um ano ou dois passe a valer 200.000, quando os salários, especialmente do grande patrão que é o serviço público, permanecem estáveis: aumentos, nenhum e reajustes só abaixo da inflação oficial que não atinge nunca dois dígitos. Aos milhões de aposentados, os valores de aposentadorias perdem anualmente uma boa parcela de valor. Esperam que até a morte estes sobrevivam com menos de um salário mínimo, que continua sempre “o mínimo”. A classe trabalhadora, até agora assistida com o programa Minha Casa Minha Vida, foi presenteada com um corte de 5 bilhões no orçamento federal para este ano. Resta à classe rica e a média alta, a maioria que adquire um ou dois belos imóveis para residências familiares e uma dezena para a locação, cujos patamares, também haviam perdido completamente os freios.

O governo, como soe acontecer sempre na economia de mercado, aperta daqui, afrouxa dali, e vai tomando um remédio para um mal e outros para os efeitos colaterais, e assim vai empurrando com a barriga, para atender as pressões continuas e variadas daqui e de acolá.

A demanda de moradias do país não será atendida enquanto prevalecerem as regras do “mercado”, ela é mantida em permanente déficit para garantir os generosos lucros. Este ano, para segurar o perigo da inflação e para estabilizar a divida interna, o Banco Central novamente conquista o título de campeão de juros no mercado mundial. Este aumento terá vários efeitos maléficos para os dependentes de aquisição ou aluguel de imóveis. Elevam-se os juros reais a taxas muito mais altas do que a taxa SELIC, oficialmente declarada pelos órgãos do Governo. Por outro lado, diminui a força do investimento produtivo, incentivando a especulação financeira, bem mais fácil de gerir e mais garantida ao lucrar. Estabelecer controles de preços para segurar a inflação nem pensar, pois comprometeria a imagem liberal que o PT tão duramente conquistou no governo Lula.

Quem observar as áreas de grandes obras de construção perceberá a olho nu, a tendência de queda nas grandes construções. Em Belo Horizonte, no Bairro Castelo e adjacências, movido também pelos caminhos do Mineirão para os jogos da Copa, já se percebe significativa redução do ritmo dos empreendimentos. Na Região Norte, a famosa obra da Mata dos Werneck passou, dos proclamados 75.000 apartamentos para 72.000, agora, anunciados com cautela e, no momento, já não se fala mais no assunto. O monstruoso empreendimento, nos dois sentidos, deve sair gradativamente e, como sempre, sem nenhum planejamento, mas com um investimento bem menor do que os dez bilhões alardeados preliminarmente, para se conseguir a aprovação do alcaide e seus edis.

Portanto, a crise do setor está anunciada. Deixo de citar o termo bolha, primeiro por ser uma referência especifica para o caso norte americano e, depois, por que, aqui, o endividamento é contraído em grande parte com a Caixa Econômica Federal que avalia bem os mutuários e garante sua parte distribuindo a cautela entre muitas seguradoras nacionais e internacionais.

Abra o olho meu amigo, evite adquirir imóveis AGORA, espere uma baixa que se avizinha e virá, mesmo com a demanda ainda forte. A demanda existe, o que não existe são recursos elevados para os preços dos imóveis que – no momento – beiram a estupidez. Vá com calma. Suspenda as negociações e aguarde, pelo menos até o próximo Feirão da Caixa. Lá devem aparecer muitos corretores desesperados com a queda das vendas, o que já poderá ser percebido nos três próximos meses.

Quando você ouvir a opinião de algum “especialista” saiba que se trata de profissional do mercado imobiliário que vive de comissões de vendas, e que portanto depende do volume de negócios, e que jamais admitirá qualquer idéia de bolha no setor. Mas o raciocínio é muito simples. Depois de décadas de paralisação, total escassez, e um déficit enorme, o governo federal no início do segundo mandato de Lula reabriu os financiamentos habitacionais.

Entregar uma carta de crédito para um casal que quer ter casa própria num país que beira o pleno emprego é “mamão com açúcar” como diria o Dadá Maravilha. Mas da aprovação do crédito para uma construtora até a entrega das chaves é um tempo muito grande, são vários anos, pesquisas de mercado, planejamento em todos os aspectos, do arquitetônico à localização, compra dos terrenos, contratação de mão de obra, equipamentos, etc.

Mas finalmente no segundo semestre de 2011 uma grande quantidade de imóveis novos que são fruto deste processo entrarão no mercado, e, atendida a demanda dos mais afoitos, e para não ficarem encalhados, os preços ficarão, se não atraentes, menos insensatos. E, para comprovar a lei da oferta e da procura o mercado ficará em oferta como este tempo todo ficou em demanda. E pode acontecer o imprevisível, construtoras precisando de dinheiro para saldar compromissos podem desencadear uma guerra de preços, mas desta vez para baixo. Por fim veremos se existe ou não a tal bolha. Se você é do tipo que não gosta de rasgar dinheiro deve ter um pouco de paciência e pagar para ver. Um abraço, e até breve.

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Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
Comentário
  1. Folhaovento.

    …é, por força, tenho q ter pouco mais de paciência.
    São suas orientações cabíveis, mas a paciência vem ao toque dos meus parcos recursos. A paciência só não se esgotou pq não tem como.
    Como sempre, muito bem escrito, Verly. Gosto de ler o q vc escreve, nem sempre pelo contexto, mais pelo estilo. -Foi ofensivo? -Não foi minha intenção.
    Parabéns por mais este seu belo texto. Continuo aguardando a compilação em livros pra tê-los em minha estante.
    Cordialmente.

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