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Dia dos Avós e Dia fora do tempo – parte I

Publicado por Sebastião Verly em Crônicas Culturais
data: 27/07/2018

Dia dos Avós e Dia fora do tempo – parte I

Hoje, dia 26 de julho, nosso calendário registra pelo menos dois assuntos significativos.

O primeiro se refere à data para celebrar o Dia dos Avós. A partir de 1978 a Igreja Católica determinou 26 de julho como o dia unificado para celebrar a homenagem aos avós.

O segundo remete-nos à informação de que a Civilização Maia, em seu calendário anual, estabeleceu o dia 26 de julho como o 1º dia do ano, o Ano Novo maia. A milhares de quilômetros de distância e a milênios antes os egípcios também consideravam o dia 26 de julho como o primeiro dia do ano. A referência é que, nesse dia, a estrela Sirius, a mais brilhante do nosso céu, desponta poucos minutos antes do nascer do Sol. Isso ocorre a cada 365,25 dias. A estrela Sirius é mencionada na literatura mística como “o Sol Central da Galáxia”.

Os maias formaram uma civilização dita pré-colombiana que habitou a região da América Central entre o ano 1000 a.C. até a chegada dos colonizadores espanhóis, atingindo o ápice no período clássico (250 d.C. a 900 d.C.). Muitos de seus ensinamentos perduram até hoje, e seu calendário é um dos mais famosos e completos já feitos.

A habilidade astronômica dessa civilização permitiu que eles elaborassem vários calendários que funcionam em ciclos sendo um deles mais exato, eficiente, e complexo que já estabelecia 365 dias para o ano e que levava em conta até o ano bissexto. Três calendários foram mais famosos: Tzolkin, Haab e Venusiano.

O Haab, tem um ciclo de 365 dias, assim como o moderno calendário gregoriano. O calendário de contagem longa calcula aproximadamente cada 2.880.000 dias e acabava seu ciclo em 2012. Isto conduziu às falsas profecias do dia do juízo final. O que acabava, na verdade, era um ciclo do calendário longo. Só!

O mais importante calendário anual da civilização Maia, de forma análoga aos 12 meses de 30 dias do calendário gregoriano, estabelece 13 ciclos lunares de 28 dias, totalizando 364 dias.

Para completar os 365 dias, o calendário Maia estabeleceu então o Dia Fora do Tempo que é o dia 25 de julho, uma das datas mais importantes desse calendário, uma espécie de véspera de Ano Novo.

Nessa data, a espécie humana teria a maior conexão possível com a Essência Geradora da Vida, isto é, os deuses responsáveis por criar todo o universo. O Dia Fora do Tempo servia para recarregar as energias e para que a população agradecesse pelos acontecimentos do último ano, tanto as coisas boas quanto as ruins, afinal, todas possuem uma grande importância em nosso aprendizado e em nossa evolução.

Para os Maias, o tempo seria multidimensional, logo, possuir as habilidades de se conectar com esse tempo cósmico é para poucos, e o Dia Fora do Tempo é justamente para fazer essas ligações. É dia de perdoar, de aprender, de rezar, de meditar e de evoluir espiritualmente.

Nessa data, também são celebradas as artes e as culturas, afinal, são elas que trazem uma paz construtiva, de acordo com os ensinamentos maias. A paz através da cultura é uma das premissas fundamentais do calendário dessa civilização. Afinal, uma sociedade que investe em cultura também estará investindo no bem-estar coletivo.

Grande parte do que sabemos sobre os maias deve-se a inscrições e relevos em pedra. Esse povo registrou sua história e seus costumes em escadarias, ombreiras e placas ou pilares de pedra usando um sistema de escrita que consistia em mais de 800 caracteres, muitos deles hieroglíficos. Escreviam também em papel feito da parte interna da casca de figueiras silvestres. Dobrando as folhas, formavam livros (chamados códices) com capa de pele de jaguar. A maior parte desses volumes foi destruída quando os espanhóis conquistaram a América, por volta de 1540 EC, mas restaram alguns.

O povo maia viveu nas florestas tropicais onde hoje, localizam-se a Guatemala, Honduras e Península de Yucatán, ao sul do México. No apogeu, o Império Maia abrangia mais de 40 cidades, cada uma com população que variava entre 5.000 e 50.000 habitantes. E no seu auge, a população Maia pode ter chegado a 2.000.000. A maioria habitava as planícies do que hoje é a Guatemala.

Num vasto território que ia da Guatemala até a porção sul do México, os Maias se organizaram em sociedade entre os séculos IV a.C e IX d.C com cidades independentes das quais se destacam Piedras Negras, Palenque, Tikal, Yaxchilán, Copán, Uxmal e Labná, que formavam um núcleo de decisões e práticas políticas e religiosas, governadas por um estado teocrático. No entanto eles nunca chegaram a formar um império unificado.

Uma série de questões sobre esta civilização ainda carece de estudos e pesquisas de paleontólogos, historiadores e antropólogos que investigam este povo pré-colombiano. Os indícios da origem da civilização Maia repousam nos sítios arqueológicos da península do Iucatã, que datam entre 700 e 500 a.C. Contudo, novas pesquisas admitem uma organização mais remota, estabelecida em 1500 a.C..

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Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
Comentário
  1. Abel Passos

    Fantástica a idéia dos maias de ter um “dia fora do tempo”, um dia entre um ano e o outro para as pessoas poderem dar aquela parada para arrumar as coisas, as ideias e os sentimentos.

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