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Amigos Para Sempre

Publicado por Edmeia Faria em Cotidiano
data: 02/09/2013

A banda passa tocando coisas de amor. Pára na Praça. Diante da banda, sentado em sua caixinha de engraxate, um menino moreno, de sorriso claro e olhar brilhante assiste ao espetáculo, alheio a tudo e a todos a seu redor, como se a banda tocasse pra ele. Somente para ele.

Dou um passo à frente e fico diante do garoto, contemplando o seu enlevo. Tudo é música; os olhos do menino são música. O sorriso do menino é música. A alma do menino, doce melodia. Todo o menino é som, vibração; a mais pura e terna canção.

Segue a banda, segue o cortejo, segue o menino. A caixa, agora no ombro, é seu pistom.

Para a banda, para o cortejo, para o menino. A caixa, de pé, vira de novo em banquinha diante dos músicos. No meio da Aquarela do Brasil, nossos olhares se encontram. Sorri. Sorrio. E o resto da apresentação passamos unidos por uma secreta magia. No final, aproximo. Passo o braço em torno de seus ombros magros e continuamos o secreto enlevo.

Quando retorno a meu lugar, o garoto se levanta e vai até o maestro. Estou cumprimentando o homenageado. Uma mãozinha de pluma me toca o cotovelo sem qualquer palavra. Viro. E sou inundada de luz. Da luz que irradia dos olhos do pequeno. A banda já começa a executar a canção Amigos para Sempre. Nesse instante, ouço a sua voz num quase sussurro musical:

— Esta é pra Senhora.

Dou-lhe a mão. Todos se dão as mãos, formando uma corrente de amizade. Quando a banda se vai, o menino vira de novo engraxate. Pega sua caixa e segue destino.

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