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Você tem que me amar

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 24/05/2010

Nossos pais nos amam ou nos amaram com um amor imperfeito. Não é raro que tenham preferência por algum dos filhos ou então que tenham antipatia ou rejeição por outros. Com freqüência as mães têm preferência pelos filhos homens e os pais pelas filhas. Outras vezes o mais amado é o filho mais inteligente, mais obediente, mais belo ou também o mais frágil.

O filho que se sente rejeitado por um ou por ambos os pais pode se sentir profundamente ferido, carente, inseguro. Pode desenvolver sentimentos de inferioridade, depressão, sentimentos de culpa, ter dificuldade de se sentir autoconfiante. Pode também reagir pelo oposto e tornar-se profundamente ressentido, com raiva, ódio e desejos de vingança. Pode se tornar uma pessoa vingativa, arrogante, desconfiada, que vê defeitos em tudo e em todos, enquanto que ele está quase sempre certo.

Muitas vezes, na vida adulta, dentro das relações afetivas, do casamento, os mesmos sentimentos estarão presentes. Terão dificuldade em se sentirem amados, reagindo intensamente a qualquer desatenção. Podem se tornar muito ciumentos, inseguros, possessivos, desconfiados.

É como se a pessoa tivesse incorporado a si própria o olhar dos pais. Ela passa a se ver como seus pais a viam. Se meus pais, ou, o meu pai, a minha mãe, não me amou verdadeiramente, ninguém vai me amar, vou ser rejeitado. Eu não posso gostar de mim, confiar em mim, ver-me como capaz e digno, se meus pais não me viram assim.

Ás vezes a pessoa passa a vida tentando conquistar o amor dos pais que não recebeu na infância. Tenta conquistar este amor ou humildemente, fazendo tudo para agradar, ou com arrogância, exigindo, acusando, ameaçando. E muitas vezes todos os esforços são vãos. Os pais não se comovem. Continuam com suas preferências, continuam rejeitando. Quando isto tudo foi projetado no casamento que acabou, de novo o fracasso se repete. Meu conjugue não me quer de volta, nem com agrados, nem com ameaças, com violência.

Ninguém ama por obrigação, nem tem o dever de nos amar. O dever é a ação que nasce da força da vontade. A admiração, o encantamento, o afeto genuíno vem de outro lugar. Isto não se força. Ninguém vai nos amar só porque nós queremos, só porque fizemos tudo para agradar. E não adianta ficar com raiva ou triste. Nós também somos assim. É preciso viver o luto, aceitar. Tem pessoas que não vão nos amar.

Mora em nós um poder suave e luminoso, uma força curativa, regeneradora. Não a percebemos porque olhamos só para fora. Estamos ávidos, tensos, famintos, querendo alguém que nos ame. É preciso acalmar-se, abrir-se, não ter em direção à vida um olhar tão possessivo. Queremos ser amados porque não amamos. Sentimos desejos e chamamos isto de amor. Não conhecemos a alegria de amar. Se o poder de amar acorda em nós, nos preenche, acalma, ilumina, irradia. É esta a força curativa suprema.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
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