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Preguiça

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 27/04/2010

Preguiça

A vida é desobediente aos nossos desejos. Raramente temos exatamente aquilo que desejamos e se o temos, com freqüência vem a constatação: “É só isto? Pensei que fosse melhor, que fosse me dar mais alegria”. Posso ter um emprego razoável, que dê para eu me manter, muito melhor do que outros que já tive antes. Mas posso estar de corpo mole, insatisfeito, irritado. “Não é bem isto que eu queria, mereço coisa melhor. Já que eles fingem que me pagam, eu vou fingir que trabalho”. E anos ou décadas podem se passar, dentro deste estado de ânimo. Muitos consideram que estar insatisfeito, irritado, viver criticando e reclamando é sinal de inteligência, independência, lucidez.

Direito a criticar tem aquele que pode provar que sabe fazer melhor. É fácil apontar defeito, difícil é ser competente. Aquele que quer ser competente aproveita o que tem às mãos para aprender, para se melhorar, para adquirir habilidades novas. Enquanto não consegue as condições de trabalho que considera mais adequadas à sua vocação, aproveita o tempo de modo construtivo. Constrói a si próprio. Não fica estagnado. Busca desafios nas tarefas de cada dia, mesmo que isto custe, mesmo que a tarefa seja antipática ou monótona. Viver insatisfeito, criticando a todos, pode ser apenas uma forma de preguiça. É o manto de uma falsa inteligência que oculta a própria inércia, a incompetência, a inveja.

Vamos agora para o lado oposto. Existem pessoas, embora raras, que gostam de ser úteis, de ajudar, de contribuir para o bem estar e a felicidade das pessoas. Há pessoas que são assim por carência, porque querem ser amadas. Mas também existem aqueles que são sinceros, que encontram alegria no próprio ato de ser útil. Porém também aqui a preguiça espreita. Posso ajudar que outros cresçam ensinando aquilo que eu já sei, aquilo que é fácil pra mim. Sem dúvida nenhuma isto é útil, mas pode estar acontecendo que aquele que ensina o outro a crescer está ele próprio estagnado. Estimulo que o outro cresça, mas eu mesmo parei de crescer, vivo do que já sei. Posso me refugiar na idéia consoladora de que estou sendo útil, para fugir de perceber que minha vida interior parou no tempo. A preguiça pode estar oculta dentro do manto de uma vida útil.

Quem quer transmitir entusiasmo, coragem, alegria de viver, capacidade de enfrentar obstáculos, precisa estar irradiando isto. Posso ensinar o que me é fácil, mas em outras áreas de minha vida enfrento o que é difícil, busco o crescimento. Deste modo ensino e aprendo, estimulo o crescimento e continuo crescendo. Ensino através do que já sei e ensino através do exemplo de me manter ativo, intenso, vivendo a cada dia a alegria de vencer desafios.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
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