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Ode à Deusa

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Devaneios
data: 10/09/2010

Ardo de saudade da tua presença. Doce fogo que se nutre das marcas que Tu deixaste no centro de meu ser. Oh! Sublime encontro. Oh! Deusa da vastidão e da luz. Oh! Fonte de vida e beleza que perfuma. Doçura suprema saber-te minha, enlaçada a mim, fundida comigo na alegria do amor.

Tu me presenteaste muitas vezes. Em cada mulher que amei e amo tu te revelas de modo singular, jamais a mesma, e, no entanto, tua presença resplandece por trás de cada encontro humano. Tu és a variedade infinita e sempre única.

O encontro humano de amor é como pedra preciosa perdida no meio de muitos dias comuns. Quando é encontrada brilha como um sol que jamais se apaga. O fogo da vivência presente se prolonga na intensidade da memória que brilha na eternidade. Neste outro mundo a paisagem de cada encontro é sempre viva e fresca, acontecendo agora e sempre.

Encontro de amor. Doce aconchego macio e suave. Intensa beleza que irradia do rosto e do corpo da amada. Intenso prazer na fusão dos corpos. Tudo isto só é possível porque a benção do amor a tudo envolve no seu abraço, faz resplandecer, dissolve a concretude da matéria e nos torna vento, flor, água e luz, perfume que irradia, música que encanta.

E Tu, Deusa suprema, às vezes sorri e me abraça de dentro do corpo da mulher que amo. Arrebata-me e leva-me para o espaço infinito, na dança da alegria de amar. De outras vezes apenas abençoa e me deixa entregue ao aconchego daquela que é Tu mesma, em forma singular.  Sim, filhas da Deusa são todas as mulheres, quando permeadas pela força do amor, permitindo que seu corpo desabroche qual flor que se abre ao sol, à chuva, ao vento.

Tantas vezes sofri a dor da solidão. Tantas vezes estive amargo desejando o aconchego feminino, a doçura encantada do encontro amoroso. Mas quando hoje eu contemplo as dores do passado, eu nada encontro. O fogo que destruiu não impediu que tudo rebrotasse.

Dentro do Sagrado, à medida que os anos passam, florescem novas presenças femininas, novos encontros de amor se revelam no mundo onde não existe desencontro. Na benção de tantas presenças, dentro do encanto e perfume de tantos amores, intensos e vívidos, no agora eterno, só posso sentir-me grato.

O encontro humano é tão frágil. Facilmente se abala. Estremece.  Fratura.  Mágoas.  Decepções.  Desentendimentos. Confiança que cessa ou que mingua.  Pessoas que se afastam.  Saudade que fica.

É apenas dentro do Sagrado que o amor revela sua face. Sereno.  Duradouro.  Permanente.  A fresca alegria de um novo encontro sempre possível.  A firme chama da comunhão espiritual.

Sagrado mistério do amor. Num corpo de mulher transfigurado pela luz do espírito, brilha a imortal beleza. Sedento e extasiado mergulho nestas águas, deito-me neste ninho macio e suave. Oh! Doce prazer que me abrasa, incendeia. Eu me torno chama, um contigo na luz do espírito. Oh! Deusa sublime, que resplandeces na mulher que amo na primavera do amor. Fugaz e eterno. A luz se apaga mas fulgura na memória a certeza do encontro. Teu rosto é único em cada mulher que amo.  Única, irrepetível.  Num novo amor ressurges com nova beleza. Doce mistério da diversidade. Oh! Dádiva imensa de um destino generoso que sempre de novo me presenteia contigo em uma nova face. Tantos amores, tantas alegrias. Na luz do espírito vivo entre elas, na doce e alegre comunhão de amor, no mundo da eternidade.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
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