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Ideais

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 06/10/2010

Quanto maior for o nosso ideal moral, maior poderá ser a dor de percebermos dentro de nós sentimentos e impulsos opostos àquilo que almejamos. Aquele que aspira ser honesto e verdadeiro pode chocar-se com os momentos em que não consegue deixar de mentir. Aquele que acredita na bondade, na tolerância e paciência pode sofrer ao perceber quanta dor pode causar a alguém num momento de raiva. O que acredita na fidelidade conjugal e no compromisso de amor com um outro ser humano, pode ficar confuso ao perceber dentro de si desejos que não deveria estar sentindo, ou mais chocado ainda ao perceber que foi capaz de passar do desejo ao ato, não conseguiu resistir.

Às vezes nos colocamos ideais demasiado rígidos, que não levam em conta a complexidade da vida humana. Não temos a obrigação de relatar tudo que fazemos, pensamos ou sentimos. Temos direito a um tanto de intimidade e omití-la aos olhos de outros nem sempre quer dizer mentir. A mentira prejudicial é aquela que tem intenção de lesar alguém ou quando mentimos porque queremos conservar para nós privilégios que não queremos que o outro também desfrute.

Podemos explodir raivosamente às vezes, porque ultrapassamos o nosso limite. Tentamos ser mais tolerantes ou pacientes do que somos capazes de ser ou não conseguimos perceber que amar nem sempre é ceder e agradar. Pode ser também privar, frustrar, rechaçar. A raiva descontrolada pode ser então um movimento de saúde, que vem em socorro de nossa necessidade mais íntima ou em auxílio a alguém que precisa receber limites para se reorientar, crescer.

Aquele que não obstante seu ideal, percebe que não consegue ser completamente fiel à pessoa que elegeu como seu par, pode às vezes descobrir a verdade desconcertante de que é possível desejar e amar sinceramente a duas pessoas ao mesmo tempo. Estar com alguém é uma escolha e um compromisso, mas não quer dizer que não poderíamos amar e desejar um outro alguém.

A raiva, a mentira, a infidelidade podem ser vividas de modo mesquinho, egoísta, destrutivo, irresponsável. Não é a este tipo de pessoa que me refiro aqui. Falo do conflito, confusão e dor moral que pode ser vivida por pessoas íntegras, honestas e que efetivamente se esforçam por viver uma vida moralmente límpida. Nem sempre o caminho escolhido por um indivíduo destes será aprovado pelas pessoas que o cercam. Ha soluções éticas que são completamente individuais e intransferíveis, por mais que isto possa incomodar àqueles que julgam saber com total clareza o que é certo e o que é errado em todas as situações da vida humana.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
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