Español
Tamanho da Letra: [A-] [A+]

Egoísmo e Generosidade – 2ª Parte

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 17/05/2010

Um segundo tipo de generosidade nasce da empatia à dor. “A dor do outro é a minha dor. Eu não quero que você sofra. A tua dor ressoa em mim”. É a compaixão que nasce da emoção humana. É uma generosidade que busca um resultado imediato. “Quero aliviar a dor, quero curar”. Nem sempre é possível. Há sofrimentos que não se curam. Há pessoas que necessitam sofrer certas coisas para adquirir experiência, sabedoria. Há sofrimentos físicos e morais que não podemos evitar que certas pessoas vivam. Elas mesmas escolhem, elas querem, elas acham que não tem outra saída. Ou então a vida impõe. Não há como evitar. Aquele que se identifica com a dor do outro pode misturar-se demais nela. Pode afundar junto. A empatia com a dor alheia precisa alia-se com um tanto de sabedoria e serenidade para atingir os seus fins.

Um outro tipo de generosidade inclui o senso de responsabilidade, a empatia pela dor do outro, mas emerge de dentro de uma alegria e serenidade profundas. Há empenho e esforço em ser útil, há a busca de um resultado o mais rápido possível, mas no fundo do ser há uma solidez, uma transparência luminosa que não se abala, seja qual for o resultado do meu empenho.

Se alguém é capaz de encontrar plena alegria no ato de tentar ser útil a alguém, independente do resultado, as palavras egoísmo e generosidade perdem o sentido, se dissolvem uma na outra. O egoísta é aquele que não conseguiu descobrir a alegria no ato de ser útil. Busca fins pessoais que apenas lhe beneficiam ou prejudica a terceiros porque não foi capaz de encontrar o equilíbrio pleno da alegria de amar se doando. A recompensa deste ato não está no resultado, na gratidão, no dinheiro recebido, no aplauso e fama, nem no céu depois da morte. O próprio ato é sua recompensa.

Um estado como este, quando vem a nós, nem que seja raramente, nos traz a certeza de que é possível ser verdadeiramente livre e autônomo, não de uma forma isolada, mas de um modo participante, dentro do viver, do cotidiano, das relações.

Compartilhar este Artigo

Leia mais artigos em Psicologia

Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
Deixe um comentário