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De estimação

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 31/01/2019

De estimação

Feito um cão que ladra e não morde
Demarco meu território.
Daqui até lá, de lá pra cá, acolá.
Depois estico as pelancas
Sobre o capacho, a rede na varanda,
E astuciosamente faço a vigília.
Ao modo de um cão, todo lealdade.
Diferentemente de um cão
Prescrevo-me logo um cálice de vinho
Que, como queria o meu compadre
João Sebastião, sábio o bastante
Para ir morar distante da capital,
Esfria o sangue quente
Esquenta o sangue frio
Encoraja o ânimo fraco
E alumia a alma escura.
Mais ainda, atrevo-me a acrescentar:
Afugenta pulgas e carrapatos.
Feito um cão, servil e obstinado,
Ponho o rabo entre as pernas
E procuro adular minha dona.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
Comentário
  1. Antonio Angelo

    “Ponho o rabo entre as pernas
    E procuro adular minha dona.”
    Sabedoria que só o Poeta – e que seja mineiro – sabe exercer.
    Resta à Dona condescender…

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