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São Romão, 300 anos de fé – parte III

Publicado por Padre Joao Delco Mesquita Penna em Crônicas Culturais, História, Religião, Turismo
data: 13/07/2015

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Estas histórias deveriam ser muito mais conhecidas nos meios acadêmicos, contadas nos livros didáticos de história, com o objetivo de fomentar a informação, formar opinião e incentivar o turismo local, sobretudo o turismo cultural e religioso.

A região do Entre Vales, situada entre os rios Urucúia e Paracatu, afluentes da margem esquerda do Rio São Francisco, no Norte de Minas Gerais, que sempre serviu de referência a pesquisadores, estudiosos, universitários e políticos de diversas partes do mundo, deveria ser reconhecida em nível de igualdade com tantas outras cidades históricas de Minas Gerais.

Esta região tem São Romão, cidade às margens do Velho Chico, como principal referência. O meu objetivo aqui é trazer uma reflexão sobre o potencial histórico, turístico, cultural e religioso de São Romão e região, visando a continuidade dos valores culturais construídos ao longo dos séculos.

Tinha que se pensar em instituir por meio de metodologia moderna a recuperação da memória cultural, através de projetos dialógicos, reflexivos e de revitalização. Até mesmo a criação de um centro de documentação histórica deveria, a nosso ver, ser construído. Tudo isso com o objetivo de atrair turistas e pesquisadores, expandindo o conhecimento das riquezas históricas, que estão nas raízes dos povos do Entre Vales.

Nos últimos tempos, com a intensificação do uso de equipamentos eletrônicos e outras tecnologias, os eventos culturais e festas religiosas tradicionais vêm sofrendo grande descaracterização. Atribuímos isso à banalização, desvalorização e falta de consciência por parte de entidades e gestores públicos do significado dos valores culturais de tradição centenária.

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Percebemos também a falta de interesse pela partilha e continuidade dos saberes e fazeres tradicionais, que ameaçam a continuidade dessas expressões culturais e religiosas.

Reafirmo que os valores culturais projetados em danças e rezas, romarias, cantos populares, congados, caboclos, batuque, folias e bois de reis e outros tantos costumes tão relevantes para as gerações futuras, nos requer uma tomada de posição em favor de seu resgate e revitalização.

Isto exigirá o empenho no reconhecimento da identidade histórica destes povos de tradição secular. Quem sabe, um dia, num futuro breve, alguém, com poder de decisão, se sensibilize e assuma tal missão.

Enquanto isso esperamos que os povos do Entre Vales preservem suas raízes e tenham orgulho de se afirmar como herdeiros desta cultura tricentenária, e ocupem seus espaços, tomando posse da cultura que é sua, reconhecendo-a como riqueza única, e aí ninguém poderá deter este processo.

Que o turismo religioso não seja apenas nos grandes centros já conhecidos e divulgados, mas que seja descoberto que bem aqui no coração do Grande Sertão dos Gerais, já imortalizado por Guimarães Rosa, bem no meio dos VALES, onde muitas outras histórias ainda esperam ser lapidadas para serem contadas ao mundo.

Finalmente, que a Religiosidade vivenciada há centenas de anos, continue sustentando a esperança e fortalecendo a fé e a caminhada dos povos sertanejos do Entre Vales.

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