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Lúcifer, a Reforma Protestante e a Teologia da Prosperidade – parte V

Published by Editor in Religion, Evangelic Religion
data: 22/09/2022

Prosperidade
 
(continuação da parte IV)
Teologia da prosperidade nos EUA – Responsabilidade Financeira

Muitas igrejas realizam seminários sobre responsabilidade financeira. Segundo Kate Bowler, acadêmica estudiosa da doutrina, tais seminários, apesar de conterem conselhos úteis, geralmente induzem à compra de bens de consumo caros, luxuosos e supérfluos. Hanna Rosin, do The Atlantic, argumenta que a doutrina contribuiu para a explosão da bolha imobiliária que causou a crise do final dos anos 2000 nos EUA. Segundo ela, a propriedade de imóveis era grandemente enfatizada nessas igrejas, a partir da expectativa da intervenção financeira divina que levou a aventuras insensatas.

Histórico – Avivamento e Cura pela Fé no pós-guerra

Os líderes do Movimento Pentecostal do início do século XX não adotavam a teologia da prosperidade. Essa doutrina começou a ganhar forma dentro do pentecostalismo no decorrer das décadas de 1940 e 1950, através dos ministérios de libertação e de evangelistas curadores. Combinando ensinamentos sobre a prosperidade com o avivamento ou revivalismo e a cura pela fé, tais evangelistas professaram as “leis da fé, ‘peça e será atendido’, e as leis da reciprocidade divina, ‘dê e lhe será dado de volta’”.

Uma figura proeminente da teologia da prosperidade neste período foi E. W. Kenyon, educado na Faculdade de Oratória de Emerson nos anos 1890, onde foi divulgado pelo Movimento Novo Pensamento, que difundiu os princípios básicos da doutrina como as intenções positivas e a cura pela fé.

Oral Roberts começou a professar a doutrina da prosperidade em 1947. Ele explicava as leis da fé como um “pacto abençoado” no qual Deus retornaria as doações “sete vezes”, prometendo aos doadores que eles receberiam de volta, de meios inesperados, o dinheiro que doaram a Ele. Roberts se oferecia a pagar qualquer doação que não levasse ao pagamento inesperado de quantia equivalente. Na década de 1970, Roberts descreveu seus ensinamentos sobre o pacto abençoado como a “doutrina da semente”: as doações são uma espécie de “semente” que crescem em valor e são devolvidas àquele que doa. Roberts começou a recrutar “parceiros” – doadores ricos que recebiam convites para conferências exclusivas e acesso ilimitado ao ministério em troca de divulgação de suas atividades.

Em 1953, o curador pela fé A. A. Allen publicou “The Secret to Scriptural Financial Success”, “O Segredo do Sucesso Financeiro nas Escrituras”, e promoveu mercadorias como panos de oração ungidos com “óleo milagroso” e outras. No final da década de 1950, Allen se focou cada vez mais na prosperidade. Ele ensinava que a fé pode miraculosamente resolver os problemas financeiros, afirmando que teve uma experiência miraculosa na qual Deus transformou notas de um dólar em notas de vinte dólares para que ele pudesse pagar suas dívidas. Allen ensinou a “palavra da fé” ou o poder de transformar a fala em algo material.

Na década de 1960, a prosperidade se tornou o foco principal dos healing revivals ou avivamento de cura. T. L. Osborn começou a enfatizar a doutrina e se tornou conhecido por exibir ostensivamente sua riqueza pessoal. Durante aquela década, Roberts e William Branham criticaram outros ministérios dessa doutrina, argumentando que suas táticas de arrecadação de fundos sufocavam os fiéis. Essas práticas eram motivadas à época principalmente pelos investimentos nas redes nacionais de rádio.

Segundo o teólogo Thiago Oliveira a Teologia da Prosperidade prega um Evangelho distorcido da doutrina dos apóstolos e se assemelha muito mais ao espírito competitivo de Lúcifer. Outro teólogo, A. W. Tozer diz: “O Diabo é melhor teólogo do que qualquer um de nós, mas continua sendo Diabo”, e o escritor inglês Roger L’estrange: “Aquele que serve a Deus por dinheiro servirá ao diabo por salário melhor.”

Televangelismo

Durante a década de 1960, os ministérios da doutrina descobriram o televangelismo e passaram a dominar a programação religiosa nos Estados Unidos. Oral Roberts abriu o caminho, desenvolvendo um programa semanal em formato de rede nacional que se tornou o programa religioso mais assistido no país. Já em 1968, o programa televisivo havia tomado o lugar das reuniões presenciais em sua igreja.
(continua na parte VI)

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2 Comentários
  1. Izaias

    Não sou muito de fazer doações para igreja ou tipo de religião, prefiro doar direto pra quem realmente necessita
    Assim vou mesmo pessoalmente e vejo a real situação de quem está precisando
    Posso estar errado mais gosto de fazer assim!!!!!!

  2. Job Alves dos Santos

    Não se compra salvação. É ato pessoal. Desconfio de tudo que movimenta muito dinheiro.

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