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Aprendiz de poeta

Publicado por Bira Ribeiro em Poesia
data: 28/04/2016

Aprendiz de poeta


Coisa trivial, simplista
É entender o estético harmonioso da poesia
É primórdio desnudá-la, do lirismo telúrico,
A alma descritiva que nela habita.

Você pode começar por tirar-lhe os sapatos
Seguindo pelas meias-calças
Ou ainda desamarrar-lhe os cabelos
Usando apenas o entrelaçar dos seus dedos.

Pode ainda começar pela blusa que a veste
Soltando-lhe os botões restritivos.
A poesia começa a tomar forma poética.
É conveniente o uso da sensibilidade das mãos
Para entender a saliência das
Pequenas nervuras da pele.

Nunca use nem ouse de automatismo
Ao lhe desabotoar o sutiã.
A poesia é pra ser rebuscada com o esmero do requinte.
Sutilmente você deve inutilizá-la da saia, verso inacabado
Que não se sustenta mais, a métrica.

Depois, com a magia da poética dissecada.
Resta-lhe a íntima peça derradeira
Você deve tirá-la com a brandura dos conformes
Sem a ansiedade dos afoitos.

Enfim, a poesia desnuda de étimos
Apenas sua, subjugada nos méritos.
Pronta pra ser lida. Degustada
Resumida em apenas dois versos finalizados
Fazendo de você
Um eterno aprendiz dessa poesia chamada mulher.

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