Páscoa: quando Cristo passa…

Publicado por Antonio Carlos Santini 7 de abril de 2026
Santa Ceia 4

Santa Ceia 4

A celebração da Páscoa dos cristãos recorda uma “passagem”. No antigo Egito, o Anjo exterminador passa sobre o acampamento egípcio. “Passa” e “poupa” (etimologias do hebraico pesach). Na Nova Aliança, é Jesus Cristo quem passa pela morte e volta à vida. No fim dos tempos (ou na nossa morte), será a nossa vez de “passar”. E em cada uma dessas passagens, um Cordeiro é a figura central.

A Páscoa do Êxodo

Comereis assim: o cinto à cintura,

as sandálias aos pés e o bastão na mão.

Comereis às pressas.

É a Páscoa do Senhor.” (Ex 12,11).

Foi a noite da libertação. Na “casa da escravidão”, o Egito, o povo de Deus comera um pão amargo. Mas o Senhor Yahweh viu e ouviu a aflição de seu povo, descendo para o livrar. Preparados para a longa caminhada, nem imaginavam que seriam 40 anos pelo deserto!, cajado na mão, comeram do cordeiro assado, fortalecendo-se para a jornada.

Antes, haviam sangrado o cordeiro e aspergido com seu sangue as vergas e os batentes de suas casas. Nas trevas da noite, quando “passou” o Anjo exterminador, que iria sacrificar todos os primogênitos dos egípcios, ao ver o sangue da Aliança que marcava as portas, “saltou por cima”, isto é, “poupou” os seus moradores. Era a primeira Páscoa.

Como extensão dessa “passagem”, também as doze tribos iriam “passar” a pé enxuto pelo leito do Mar Vermelho, encolhidas as águas diante do Vento do Senhor. Daí em diante, a cada ano, Israel faria memória do grande evento da libertação. Era a Páscoa.

A Páscoa do Cenáculo

“Eu desejei tanto

comer esta Páscoa convosco

antes de padecer!” (Lc 22,15.)

Era quinta-feira. Véspera da Paixão. Jesus se reúne aos seus, no salão de cima, o mesmo Cenáculo aonde viria mais tarde o Vento de Pentecostes. Reclinados à mesa, preparavam-se para celebrar a Páscoa dos judeus. Ali estão as quatro taças de vinho, os pães sem fermento, as ervas amargas, o harosset (espécie de compota de amêndoas) e o cordeiro pascal. É a Páscoa.

Súbito, o ritual é modificado. Jesus mostra o pão ázimo e faz a revelação: é sua CARNE! Ergue a taça de vinho e inova: “É o cálice do meu SANGUE!” E ordena que comam de sua carne e bebam de seu sangue. Eram os primeiros sinais de uma Aliança nova e eterna, que vinha dar sentido pleno e cumprimento à Primeira Aliança.

Mas, acima de tudo, dava-se um salto de qualidade. Já não era o cordeiro a verdadeira Páscoa. Não era o sangue de uma vítima animal que “poupava” da morte. Cristo é a Páscoa – o Cordeiro Pascal – da nova e eterna Aliança. Tanto que São Paulo, escrevendo aos cristãos de Corinto, assevera: “De fato, nosso cordeiro pascal, Cristo, foi imolado”. (1Cor 5,7b.)

A Páscoa final

Eis que venho em breve…” (Ap 22,12.)

Nós também estamos “de passagem”. Alegrias e tristezas, lágrimas e suspiros, tudo passa. Como batizados, porém, passamos com Cristo. Por Cristo. Em Cristo. Eucaristicamente. Esta experiência no tempo terá um limite. É assim que, na hora de nossa morte, alimentados com o viático, o alimento para a viagem, viveremos nossa Páscoa final. E… passaremos para o Pai…

A não ser que ainda estejamos vivos quando o Senhor vier, no seu Grande Dia, para julgar os vivos e os mortos. De um modo ou de outro, haverá um grande banquete. Outra mesa será servida. E Cristo ministrará como garçom.

“Felizes os servos que o Senhor encontrar acordados quando chegar! Em verdade, vos digo: ele mesmo vai arregaçar sua veste, os fará sentar à mesa e passará para servi-los.” (Lc 12,37.)

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