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O encantado

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 17/08/2012

Ando pela rua de pedra e a tarde se esvai

Em candeeiros de luz elétrica e velas de neon

O sol não mais ilumina, a noite ainda não chegou.

Volto apressado do salão com a barba feita

Para o ajantarado na mansão, mas cadê minha alma?

Ficou ali atrás, na esquina, e eu sigo sozinho.

Talvez tenha sido agora mesmo, não estou certo,

Pode ter sido ontem, na fila do banco, que sei eu,

Ando sem a alma, como um frango desossado.

A sombra do poste me dá um abraço cruciante

Cheio de ironia como se dissesse já vai tarde

E a verdade é que ando escapando por um triz.

A alma se esquivou e já nem vem mais comigo

Parou na esquina a olhar um sedã zero quilômetro

Estacionado sob a lua pálida da segunda feira.

Ponho a mão no bolso, esqueço aquele poema,

Uma palavra me fugiu, depois duas, e foi-se todo,

Como o copo que cai da mão, entorna o vinho.

Um gato preto dorme no alto da varanda

Eclipsado pelos leds radiantes do televisor

E eu sigo em frente. Fazer o quê?

Aquela lá é minha casa, com sorte tenho a chave.

Aquele ali sou eu, curvado sob o peso dos sonhos.

Aquela é minha alma, parece que não volta mais.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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