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Da palavra e da respiração

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 20/06/2012

I)
possa a vida inteira respirar poesia
eu, de outra forma, não viveria.
nem como uma fera que adormeceu
ou um gladiador em pleno Coliseo.
como quem procura o ar todo dia
penso, vez ou outra, em não respirar.
a poesia é tão essencial quanto o ar
que nos rodeia e nos molda a geometria.
sem o ar, qual de nós restaria?

II)
aqui escrevo cartas. cartas
para mim. cartas para ninguém.
cartas são poemas. ou não?
poema é respiração.
com a poesia o mundo é refeito.
tenho a poesia ao modo de refrão,
insubstituível como arroz e feijão.

III)
há poesia dura e táctil ao sentido
além da que habita o ouvido.
poesia sobretudo pelo silêncio
que nela há, tal qual o canto.
uma coreografária e nítida pintura
cada palavra contida em moldura.
com a poesia o mundo é refeito
por ela me levanto com ela me deito.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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