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Itacambira, Parte 2

Publicado por Sânia Campos em Turismo
data: 28/10/2009

Itacambira, Parte 2

Finalmente na quarta-feira, dia 31 de janeiro de 2007, fui conhecer Itacambira com suas águas, ou como gosta de dizer uma historiadora de lá, as águas que batizaram a guerreira Diadorim. Um amigo que freqüenta Itacambira há mais de 30 anos me disse que quando conheceu o lugar se enfeitiçou. Encantou-se com o lugar que lhe lembrou Xangrilá, do filme Horizonte Perdido, pela pureza das águas e pela inocência do povo. Lá todo mundo é bom até que prove o contrário, até os maus que por lá chegam recuperam o crédito inicial para o recomeço, dizia ele, lembrando Augusto Matraga, personagem central do último conto de Sagarana, de Guimarães Rosa.

A visita à Chapada era a mais aguardada por ser um lugar isolado e preservado. A camionete “de tração” era fundamental pois a estrada estava bastante destruída com as chuvas. Ela só ficou disponível na quinta-feira quase onze horas da manhã. Como já estava um pouco tarde, adiamos a ida à Chapada para o dia seguinte, sexta-feira. Naquele dia iríamos à igreja matriz tricentenária, ao mirante tirar fotos e visitar a cachoeira Encantado que é mais próxima da cidade e é a mais usada pelos visitantes locais.

A Dona Colo, que é a dona da pensão, ainda não conhecia a Chapada se animou a ir conosco. Ela carrega muita disposição e jovialidade nos seus sessenta anos, que havia completado no dia 2 de janeiro. Separou biscoitos e roscas para nosso lanche.

Paisagem muito linda! Saímos da estrada, rodovia de terra que liga Itacambira a Montes Claros e pegamos o caminho da Chapada. E aí, já começaram as emoções!

Eu e a Dona Coló fomos na boléia com nosso guia e motorista, o Edivaldo, e os outros companheiros de viagem foram na carroceria aberta, rosto ao vento. A camionete, tração nas quatro rodas impressionou-me e senti segurança no motorista. Atravessamos CADA buraco, poças d`água e o resto de uma estrada que foi destruída pelas chuvas e pelo abandono. “Misericórdia” era o que dizia dona Coló diante de cada desafio da estrada, quando o trecho ficava pior. Mas ela falava com humor e alegria, sem medo.

Ufa! Finalmente chegamos onde o carro deveria parar para seguirmos a pé. No local havia os escombros de um ranchinho de pau-a-pique, coberto por telha de amianto, construído por garimpeiros em busca de cristal. Ainda estava ali um fogão de pedra, e, além da minúscula cozinha, no outro canto foi construído um espaço para dormirem, com duas estruturas de jirau para se colocar uma lona, que serviria de lençol sobre capim seco para suavizar a dureza dos troncos finos de madeira.

Na área da chapada não é permitida caça nem garimpo por iniciativa dos proprietários. A idéia é preservar. Ao contrário das áreas devastadas, de algumas plantações de eucaliptos e da destruição da fauna e da flora que vimos ao longo da estrada, na chapada a vegetação do cerrado, embora rala, e apesar de um incêndio devastador ocorrido em 1997, ainda está razoavelmente preservada e muitos animais silvestres deixam por ali seus rastros. São os mocós, pacas, tatus-canastras que deixam seus imensos buracos, tamanduás, lobos-guará e até onças pintadas.

Itacambira, Parte 2

Há um movimento para a construção de um parque ecológico já em negociação com o Estado, e a ONG Itacambira Verde, que tem o site www.itacambiraverde.com.br, promove campanhas educativas através de palestras nas escolas e da colocação de placas nos principais acessos à cidade e à chapada. Além de preservar o meio ambiente, a Itacambira Verde mostra que este é fundamental para a geração de trabalho e renda para a população local, mais ainda agora em 2009 quando o asfalto está chegando à cidade, facilitando o acesso dos turistas, vindos principalmente de Montes Claros e Bocaiúva, mas também de Belo Horizonte.

Itacambira, Parte 2

Sentimos que é necessário apontar para um novo padrão de atividades econômicas sustentáveis que substituam as predatórias tradicionais (garimpo, caça, produção de carvão vegetal), e permitam a participação e a melhoria efetiva da geração de trabalho, renda e qualidade de vida.

As riquezas naturais do lugar, as cachoeiras, vegetação e a biodiversidade precisam ser reconhecidas e valorizadas pela comunidade local. Uma vez descrito o cenário voltaremos em breve ao nosso relato.

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Sânia Campos - Economista com Mestrado em Educação pela UFMG. Professora da PUC-Minas, já exerceu vários cargos na Administração Pública. Residente em Belo Horizonte - MG.
2 Comentários
  1. Maria de Lourdes Torres/ Betim

    Sânia, obrigada por essas lembranças que nos remetem a tempos e lugares tão especiais.

  2. Nivaldo/Fruta de Leite

    Realmente este lugar é encantador e de pessoas muito boas. Estive em Itacambira esta semana e realmente pude comprovar o que relata acima…

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