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O Corpo Energético – parte 1

Publicado por Editor em Castaneda e Don Juan
data: 23/05/2011

O corpo e o corpo energético são dois conglomerados de campos energéticos comprimidos juntos por alguma estranha força aglutinante. A força que liga esse grupo de campos energéticos é, segundo os antigos feiticeiros, a força mais misteriosa do universo. É a pura essência do cosmo como um todo, a soma total de tudo o que existe.

O corpo físico e o corpo energético ou luminoso são as únicas configurações energéticas contrabalançadas no nosso domínio como seres humanos. Não há portanto nenhum outro dualismo além do existente entre esses dois. O dualismo entre o corpo e a mente, o espírito e a carne, é mera concatenação da mente, emanando desta sem qualquer base energética. Por meio da disciplina é possível para uma pessoa trazer o corpo energético para mais perto do corpo físico. Normalmente, a distância entre os dois é enorme.

Uma vez que o corpo energético esteja a uma certa distância, que varia para cada um de nós individualmente, qualquer pessoa, através da disciplina, pode forjá-lo em uma réplica exata do seu corpo físico, menor, mais compacto, mais pesado do que a esfera luminosa do corpo físico – ou seja, um ser sólido, tridimensional.

Da mesma forma, através dos mesmos processos de disciplina, qualquer um pode forjar seu corpo físico sólido e tridimensional, para ser uma réplica perfeita de seu corpo energético – ou seja, uma carga etérea de energia invisível ao olho humano, como toda energia é.

Os antigos videntes concentraram parte de seus esforços em desvendar e explorar o corpo energético ou sonhador. E foram bem sucedidos usando-o como um corpo mais prático, o que quer dizer que recriavam-se de maneiras cada vez mais estranhas. Os novos videntes sabem que muitos dos antigos feiticeiros nunca voltaram após despertar em uma posição de sonho de seu agrado. Provavelmente todos morreram naqueles mundos inconcebíveis, ou podem ainda estar vivos hoje, em uma forma ou maneira retorcida.

Os antigos videntes estavam procurando uma réplica perfeita do corpo. E quase conseguiram. A única coisa que nunca conseguiram copiar foram os olhos. Em lugar de olhos, o corpo sonhador tem simplesmente o brilho da consciência. Os novos videntes não podiam importar-se menos com uma réplica perfeita do corpo; na realidade não estão interessados sequer em copiar o corpo. Mas mantiveram o nome corpo sonhador, significando uma sensação, uma onda de energia que o transportava, pelo movimento do ponto de aglutinação, a qualquer lugar neste mundo, como a qualquer lugar nos sete mundos alcançáveis pelo homem.

O procedimento para se chegar ao corpo sonhador começa com um ato inicial que, pelo fato de ser continuado, desenvolve uma intenção inflexível. A intenção inflexível leva ao silêncio interior, e o silêncio interior à força interior necessária para fazer o ponto de aglutinação se deslocar nos sonhos para posições adequadas. Esta seqüência é o alicerce. O desenvolvimento do controle vem após ter sido completado o alicerce; consiste em manter sistematicamente a posição de sonho agarrando-se com tenacidade à visão do sonho. A prática constante resulta numa grande facilidade em manter novas posições de sonho com novos sonhos, não tanto porque a pessoa obtém controle deliberado com a prática, mas porque cada vez que esse controle é exercido a força interior sai enriquecida. A força interior, por sua vez, faz o ponto de aglutinação se deslocar para posições de sonho, que são cada vez mais apropriadas para proporcionar sobriedade; em outras palavras, os próprios sonhos se tornam cada vez mais controláveis, e até mesmo ordenados.

O desenvolvimento dos sonhadores é indireto. É por isso que os novos videntes acreditavam que podemos sonhar sozinhos. Uma vez que sonhar usa um deslocamento natural, intrínseco, do ponto de aglutinação, não deveríamos precisar de ninguém para ajudar-nos. O que precisamos desesperadamente é de sobriedade, e só nós mesmos podemos consegui-la. Sem ela, o deslocamento do ponto de aglutinação é caótico, como são caóticos nossos sonhos comuns.

Assim, em tudo e por tudo, o procedimento para se chegar ao corpo sonhador é a impecabilidade em nossa vida diária. Depois que a sobriedade é adquirida e as posições de sonho se tornam cada vez mais fortes, o passo seguinte é acordar em alguma posição de sonho. A manobra, embora soe tão simples, é na realidade um assunto muito complexo – tão complexo que requer não apenas sobriedade mas também todos os atributos do guerreiro, especialmente a intenção.

A intenção, sendo o mais sofisticado controle da força de alinhamento, é o que mantém, através da sobriedade do sonhador, o alinhamento de quaisquer emanações que tenham sido acesas pelo deslocamento do ponto de aglutinação.

 

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Comentário
  1. Quando o corpo virou rapidamente
    Reparou numa sombra fugaz que corria do canto de seus olhos
    E viu que aquela sombra tinha vida
    e que sua vida dependia de mim talvez

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