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Feiticeiros, Xamãs e Guerreiros

Publicado por Editor em Castaneda e Don Juan
data: 23/11/2010

Feiticeiros, Xamãs e Guerreiros

Como um gesto para o espírito, os feiticeiros trazem o melhor de si e, em silêncio, oferecem-no ao abstrato. Ser um feiticeiro não significa praticar bruxaria, ou trabalhar para afetar as pessoas, ou ser possuído por demônios. Ser um feiticeiro significa alcançar um nível de consciência que dá acesso a coisas inconcebíveis.

O termo feitiçaria é inadequado para expressar o que os feiticeiros fazem, como também o é o termo xamanismo. As ações dos feiticeiros existem exclusivamente no reino do abstrato, do impessoal. Os feiticeiros lutam para alcançar uma meta que nada tem a ver com as buscas do homem comum. As aspirações dos feiticeiros são alcançar o infinito, e ser conscientes dele.

A grande tarefa dos feiticeiros é trazer a idéia de que, para evoluir, o homem deve primeiro libertar sua consciência das amarras da ordem social. Uma vez que a consciência estiver livre, o intento irá redirecioná-la para um novo caminho evolucionário.

Não se apoquente se você não conseguir fazer sentido do que vou lhe dizer. Considerando seu temperamento, receio que você possa esgotar-se, tentando compreender. Não faça isso! O que vou dizer só pretende mostrar uma direção.

Não terei tempo de ensinar tudo o que desejo. Só terei tempo de pô-lo no caminho e esperar que você procure da mesma maneira que eu.

A convicção que os novos videntes têm é de que uma vida de impecabilidade leva inevitavelmente ao sentido de sobriedade, e este por sua vez leva ao deslocamento do chamado “ponto de aglutinação”, que é o que determina a maneira de percebermos o mundo, limitando-a ou ampliando-a.

Os novos videntes acreditavam que o ponto de aglutinação pode ser deslocado de dentro. Eles deram mais um passo e afirmaram que homens impecáveis não necessitam de ninguém para guiá-los, e sozinhos, através da economia de sua energia, podem fazer tudo que os videntes fazem. Tudo o que necessitam é de uma chance mínima, a de terem conhecimento das possibilidades que os videntes desvendaram.

Liberdade é uma aventura sem fim, onde arriscamos nossas vidas e muito mais por alguns momentos e alguma coisa além dos mundos, além de pensamentos ou sentimentos.

A obra de Castañeda permite várias leituras, podendo ser olhada como uma obra de ficção sobre aprendizado em feitiçaria; como um relato de experiências xamânicas – envolvendo plantas alucinógenas (cuja ênfase foi menosprezada por Don Juan), a arte corporal dos passes mágicos e outras experiências sensoriais – ou como um estudo antropológico de xamanismo… estas as mais comuns. Este trabalho de compilação, entretanto, descortina duas leituras novas, resultantes da vivência dos mesmos ensinamentos em contextos e circunstâncias culturais e sociais diferentes dos vividos por Castañeda, os mestres-feiticeiros e os aprendizes.

Os conhecimentos de Juan Matus sobre a existência humana, conteúdo essencial da obra, são apresentados como doutrina do domínio da consciência e como um conjunto de regras, normas e recursos comportamentais, adequados às várias facetas mágicas que um homem de conhecimento pode adotar ou acumular, dependendo das circunstâncias e de suas necessidades: ora se é o caçador que busca o conhecimento, ora o guerreiro que luta por ele, ora o feiticeiro que o manipula, ora o vidente que o percebe (todos eles sonhando ou espreitando).

(Compilação Flórion)

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Comentário
  1. Tesla di Murbox

    Este é um caminho da Feiticaria interessante, porem não é o único. Mesmo porque dar liberdade para a consciência achar seu caminho, dar liberdade a ela, implica em se abrir ao seu caminho.

    ”Se você sabe qual o seu caminho, já não está nele”
    - Lao Tsé

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