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A encruzilhada final

Publicado por Editor em Castaneda e Don Juan
data: 02/05/2013

Agora preciso de sua atenção total. Atenção no sentido em que os guerreiros entendem a atenção: uma pausa verdadeira, a fim de permitir que a explicação dos feiticeiros para o domínio da consciência o inunde plenamente. Estamos no fim de nosso trabalho, toda a instrução necessária já lhe foi ministrada e agora você tem de parar, olhar para trás e reconsiderar seus passos. Dizem os feiticeiros que este é o único meio de consolidar os lucros.

Já lhe disse inúmeras vezes que é necessária uma mudança muito drástica se você quiser ter sucessos no caminho do conhecimento. Essa mudança não é uma mudança de estado de espírito, nem de atitude, nem de ponto de vista, essa mudança implica a transformação da ilha do tonal.

Precisamente neste ponto, um mestre geralmente diria ao discípulo que chegaram a uma encruzilhada final. Mas dizer uma coisa dessas é enganador. Em minha opinião, não existe encruzilhada final, nem passo final para nada. E como não há passo final para nada, não devia haver segredo algum sobre qualquer parte de nosso destino como seres luminosos. O poder pessoal resolve quem pode ou não pode lucrar com uma revelação. Minhas experiências com meus semelhantes me provaram que muito poucos entre eles estariam dispostos a escutar, e dentre esses poucos que escutam, um número menor ainda estaria disposto a agir segundo o que escutou. E dentre os que estão dispostos a agir, menos ainda têm suficiente poder pessoal para aproveitar seus atos. Assim, o assunto de segredo sobre a explicação dos feiticeiros resume-se numa rotina, talvez uma rotina tão vazia quanto qualquer outra. De qualquer forma, você agora sabe a respeito do tonal e do nagual, que são a essência da explicação dos feiticeiros. Saber a respeito deles parece ser bastante inócuo.

Este é o momento de abrir a porta do infinito. Mas antes de nos aventurarmos além deste ponto, é necessária uma advertência justa: um mestre deve falar em termos sérios e avisar o discípulo de que a inocência e placidez deste momento são uma miragem, que há um abismo sem fundo diante dele, e que, uma vez aberta a porta, não há jeito de tornar a fechá-la.

O que acontecerá de hoje em diante depende de se você tem ou não suficiente poder pessoal para focalizar a sua atenção total sobre as asas de sua percepção.

O poder age de acordo com a sua impecabilidade. Se você usar seriamente aquelas quatro técnicas: apagar a história pessoal, perder a importância própria, assumir a responsabilidade pelos atos e usar a morte como conselheira, terá armazenado suficiente poder pessoal para encontrar um benfeitor. Você terá sido impecável e o espírito terá aberto todas as avenidas necessárias. Essa é a regra.

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Comentário
  1. Sania Campos

    “apagar a história pessoal, perder a importância própria, assumir a responsabilidade pelos atos e usar a morte como conselheira,” idéia síntese chave!

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