Memórias

Bar do Portuga – III

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 07/02/2018

Com passos curtos, chegou, pediu a pinga e sentou-se a espera de audiência. Daí a minutos chega um cidadão pede uma cerveja estupidamente gelada e é convidado a compartilhar, dividir a mesa e ouvir seus causos. Começou a explicar algumas palavras pertinentes ao que ia contar e que caíram em desuso. Lembrou dos seus tempos de mais jovem e da prostituição. Engrenou conversa: – As prostitutas da capital vinham do in...

No Bar do Portuga II

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 31/01/2018

Fernando, o cidadão da cerveja de ontem, já esperava para ouvir sobre a velha Lagoinha, conforme sugeriu da vez anterior. Pediu a bôua, sentou-se e se pôs a falar. Não dá para falar, viu. Ninguém vai acreditar. A Lagoinha era o que há hoje e muitas vezes mais pela Praça Vaz de Melo e adjacências. A Vaz de Melo era única. O grande compositor Rômulo Paes fez aquela música: “Não há entre nós um paralelo, eu aqui...

A partilha do boi

Publicado por Carlos Scheid
Data da publicação: 25/01/2018

Quem não se lembra daqueles circos mambembes que atravessavam o interior do país, de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, movidos por inexplicável amor à vida circense? Pelos anos 50, palmilhando as estradas de terra vermelha do Sul de Minas, lá vinha o circo… A lona em trapos, o palhaço desbocado, a bailarina gordota, o pangaré magrelo e o picadeiro barrento que o pó de serragem transformava em pasta marrom, f...

Bar do Portuga na Lagoinha

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 19/01/2018

Lembranças ajudam a viver. Sem nada para fazer em casa ia até o Bar do Portuga, ali na esquina, pedia uma pinga e ficava à espera de que aparecesse alguém com disposição para ouvi-lo. Sempre aparecia outro com tempo também ocioso. Muita coisa era inventada pela sua cabeça septuagenária. Outra parte poderia ser confirmada por registros de diferentes áreas. Sentava e, havendo ouvidos, lá vinha a história. Era em 1936...

Uma história e depois outra

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 28/12/2017

Minha mente sempre gostou de inventar histórias. E contava e ainda conta para mim com tantas evidências que eu acreditava e ainda acredito piamente nelas. Minha cidade, onde fiquei isolado do mundo até os 15 anos, era meu mundo. Quase todos os casos que eu ouvia, não sei que parte do meu cérebro optava por gravar sua triste versão, ou a tristeza era real como eu aquilatava. Assim, foi a história da moça criada pela av...

XLV – Náufrago de mim mesmo

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 04/12/2017

Aquele dia na praça vivi um momento único. Me perdi de Holly, e talvez de mim mesmo. Me embrenhei naquela energia e me integrei com várias pessoas. Estava solto, preocupado se ia rever ela, mas me jogava na vida como se não houvesse amanhã. Conheci budas, hippies e toda sorte de pessoas. Depois veio o dia seguinte, e novamente eu não estava tão adaptado ao convívio social, e fui internado. Mais uma vez. O drama se repe...

De volta à terrinha dos meus amores

Publicado por Sebastião Verly
Data da publicação: 27/11/2017

Volto à cidade para pesquisar um pouco sobre sua história. A fama continua: “o povo daqui é muito bravo. Cada dia mais. O pessoal daqui não leva desaforo para casa. Criou fama…” Pergunto sobre os casos mais marcantes da Cidade. Ninguém mais sabe do Roquinho Muié, ou quem poderia saber prefere não tocar no assunto. Outro assunto que marcou época foi a fuga do Tenente Alair com a Elba filha do Coletor. Agora o ...

XLIV – Na energia da Copa

Publicado por Bill Braga
Data da publicação: 07/11/2017

Saí daquela internação e estava novamente sem rumo. Resolvi bater de frente com tudo aquilo que me oprimia, não iria tomar os remédios! Estava cansado daquela castração química e resolvi viver na minha plenitude, sem amarras, e enfrentar as consequências. Enfrentei muita resistência da minha família, mas segui em frente. Eram os idos de 2014, ano de Copa do Mundo, e uma energia especial circulava sobre o Brasil. Dur...