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Vale a pena ser bonzinho?

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 24/11/2009

A criança tem por impulso natural buscar o afeto, a aprovação, a proteção de seus pais. Ela depende deles. Por este motivo muitas crianças são obedientes. E é bom que o sejam. Elas não têm ainda capacidade de serem independentes.

Na adolescência, na maioria dos casos, começa a rebeldia. Impulso saudável, muitas vezes desajeitado e cego, daquele que, por instinto, quer ser livre, dono de si mesmo. Mas há adolescentes que são obedientes, muito obedientes. É o filho de ouro, o bem mandado, o que ajuda a todos, o que segue o caminho que seus pais escolheram para ele. E alguns prosseguem assim pela vida adulta.

Mas costuma acontecer que de repente, aparentemente sem motivo, este jovem ou adulto bonzinho cai em depressão. Ninguém entende. Em casos mais graves pode ter crises de auto agressão: bate em si mesmo. Ou então quebra objetos, grita. Depois pede desculpa, toma um calmante, sente-se muito culpado e tenta novamente a continuar a ser bonzinho, aquele que vive para os outros, o escravo.

Na realidade o adulto bonzinho, numa grande parte de seu ser, continua a ser criança. A criança obediente. E muitos pais, irmãos, amigos, patrões, namorados, esposas usam esta pessoa, escravizam-na. É muito útil ter um bonzinho por perto. Facilita a vida. É um empregado gratuito e trabalhador. E às vezes até parece que ele gosta de ser escravo.

O bonzinho é um comerciante fracassado. Ele dá, ajuda, serve e espera um retorno que quase nunca vem. Quer ser amado, elogiado, reconhecido, aceito. Muitas vezes não é levado muito a sério, é pouco respeitado, não é ouvido, o tratam como criança. Então entra em depressão, tem estafa.

A maioria de nós, a maior parte do tempo, sejam os adultos, as crianças ou os bonzinhos é egoísta. Comerciantes dentro das relações humanas. É o normal. Somos humanos e carentes. Queremos receber: afeto, elogio, dinheiro, prazer.

Para ser bondoso, solidário, transformador da ordem social é preciso ser adulto. Ter coragem de errar, de fazer o que os outros desaprovam, de tentar novos caminhos. E preciso ser capaz de dizer não, de discordar, desagradar, se opor. A bondade não é para os fracos, submissos e carentes.

E o que tem a ver bondade com saúde mental? Quando somos capazes de encontrar alegria, plenitude no ato de ser útil, nos tornamos livres, independentes, verdadeiramente adultos.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
Comentário
  1. fabiano

    nossa adorei o que vc postou, isso me tirou uma espinha, isso me faz acordar pra vida

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