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Dor e Prazer

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 08/03/2010

Dor e Prazer

O impulso natural de cada um de nós é buscar o prazer e evitar a dor. Há prazeres que se oferecem com certa facilidade: comer, beber, dormir, relacionar-se sexualmente, tomar banho. Porém alguns destes prazeres fáceis podem tornar a nossa vida difícil. Quando adquirimos maus hábitos alimentares, o prazer de comer pode gerar dor. Engordamos, prejudicamos a saúde comendo alimentos nocivos. O prazer do sexo, se não for cercado de certos cuidados pode gerar uma gravidez indesejada ou enfermidades venéreas. Além disto, para um adulto ter condições de comer, vestir-se, morar, precisa de dinheiro. Tem de trabalhar, nem sempre com o que gosta.

A dor se mistura frequentemente à nossa busca pelo prazer. Ou o caminho para o prazer pode ser desagradável – fazer o que não quero para conseguir dinheiro – ou a conseqüência do prazer: engordo, engravido, adoeço. Para viver bem precisamos nos dispor calmamente a doses variadas de sofrimento, privação, esforço, cansaço. As nossas metas de prazer a curto prazo devem se transformar em metas a longo prazo. Renuncio ao alimento nocivo ou em excesso porque quero me manter saudável e com boa aparência. Renuncio ao prazer menor, imediato, porque quero o prazer maior, futuro: saúde, beleza.

Para passar num concurso temos de estudar intensamente. Em vista de um prazer maior, o emprego, renuncio ao meu bem estar imediato e me esforço com total intensidade para conseguir sucesso.

Todos temos, em maior ou menor grau, deficiências ou excessos em nossa personalidade. Posso ser explosivo. Firo ou afasto as pessoas que desejo que gostem de minha companhia. Posso ser muito tímido. Não consigo me expressar, dizer o que penso, quero, sinto. Para que nossa personalidade se modifique não existe receita fácil. É necessário esforço, disciplina, persistência. Por mais que outros nos ajudem – amigos ou profissionais – a parte principal do esforço cabe a cada um. Se isto não for feito na intensidade adequada, a mudança não ocorre ou não se mantém.

Esforço intenso num certo sentido é dor, cansaço, privação. Mas quem não se dispõe ao esforço não conquista o prazer maior que virá como fruto deste esforço. E não apenas no resultado futuro está nossa alegria. É possível descobrir um certo prazer no uso pleno de nossa energia, aplicada com intensidade máxima numa tarefa. É o prazer de sentir-se totalmente concentrado. É o prazer de perceber-se capaz e competente diante de cada pequeno resultado conseguido. Amar o esforço não é gostar de sofrer. É saber que só este é o caminho para alegrias cada vez mais profundas, mais duradouras.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
3 Comentários
  1. Marta Luiza/BH

    Adorei. Me identifiquei com o pensamento que vira ação.
    Mas vamos sofrendo influências que nos afastam dos conceitos que acreditamos e realizamos.Obrigada por me fazer despertar meus pensamentos.

  2. Cezarina

    Penso que realmente precisamos de nos afastar dos prazeres momentâneos, porem a mídia incentiva o contrario mostrando que para ter prazer é preciso vencer obstáculos, competir com o outro. E mais uma vez parabenizo o Psicólogo Carlos Bittencourt pelo incentivo que dá através de seus artigos, educando e mostrando através deles como é possível a busca pelo prazer. Gostaria de saber como trabalhar com uma pessoa que sofre muito por não ter conhecido a mãe, por mais que já tenha proucurado e não conseguiu encontrá-la, isso traz muito sofrimento, como podemos ajudar pessoas assim?
    Ficarei agradecida pela sua resposta.

  3. Cezarina, o não vivido nos atormenta. Temos a esperança que nossa mãe biológica irá nos amar mais do que qualquer outra pessoa. Aquele que cresceu com seus pais sabe que eles tem qualidades e defeitos e não tem como sustentar ilusões. Já os testou centenas de vezes. Mas de uma mãe desconhecida podemos esperar o paraíso… É pouco provável, mas o sonho é teimoso.No caso que você cita, não sei se a mãe abandonou o bebê, se foi roubado, se foi uma doação, se a mãe sumiu no mundo e também está à procura da filha.O segredo da felicidade é aprendermos a desfrutar aquilo que conseguimos alcançar, sem deixar de buscar novos objetivos. Frequentemente os desejos sonhados parecem muito mais promissores do que os desejos realizados. O concreto com frequencia é menos do que esperávamos.O ideal seria que esta pessoa pudesse encontrá-la, porque aí, por bem ou por mal, o desejo sacia. Mas frequentemente a vida não nos dá o que queremos, e para ser adultos temos que saber lidar com estas frustrações.

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