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A GUERRA DOS EMBOABAS – parte V – Desdobramentos

Publicado por Padre Joao Delco Mesquita Penna em Geografia e Geopolítica, História
data: 10/08/2021

A GUERRA DOS EMBOABAS – parte V - Desdobramentos
Capitania de São Paulo e Minas do Ouro (1709-1720)

Manuel Nunes Viana “governou” por apenas um ano e, em 1709, devolveu o governo nas mãos da coroa. Em 9 de novembro daquele ano foi criada a Capitania Unida de São Paulo e Minas do Ouro, tendo Antônio de Albuquerque como governador. Este episódio foi considerado como o encerramento da Guerra dos Emboabas. Esta capitania passou a representar 60% do território da colônia, mostrando que os bandeirantes extrapolaram em muito os limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas, e que o ouro estruturava o território colonial.

Dois anos mais tarde, em 8 de junho de 1711, foi instaurado o arraial de Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto, que viria a ser a futura capital da Capitania de Minas Gerais.

Após a derrota para os emboabas, os paulistas fizeram um recuo temporário, mas logo retornaram, tendo em 1711 José Rodrigues Betim assumido a sesmaria de duas léguas ao longo do Rio Paraopeba, concedida pelo governador Antônio de Albuquerque. Era irmão mais novo de Maria Betim, esposa de Fernão Dias, casal que havia lhe batizado. A partir do Rio Paraopeba os paulistas expandiram seus negócios descobrindo outras Jazidas na direção oeste. Em 1715 seu meio irmão Antônio Rodrigues Velho funda outra vila, próxima ao Rio Pará que foi denominada Sétima Vila do Ouro, e posteriormente Vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui, que atraiu bandeirantes interessados na abundância de grãos de ouro, metal que “brotava” da terra no morro conhecido como Batatal, tal o tamanho das pepitas. O genro de Betim, Antônio Pompeu Taques adquiriu as terras principais produtoras de gêneros para a Sétima Vila, que mais tarde se chamou Fazenda do Pompéu.

Descendo o Rio São Francisco, logo abaixo da barra do Rio Guaicuí ou das Velhas foi construído o arraial de Vila Risonha de Santo Antônio da Manga, atual São Romão, que era sede judiciária de todo o sertão norte mineiro, subordinada diretamente à Comarca de Rio das Velhas de Sabará. Em 1736 ocorreu ali importante revolta contra a cobrança de impostos, liderada por Pedro Cardoso, o “promotor do povo”, filho da legendária Maria da Cruz.

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Mina de Ouro em atividade – séc. XVIII

A partir de 1744, já temos noticia da descoberta de ouro na região de Paracatu. O antigo povoado surgiu entre 1690 e 1710, no ponto de convergência dos diversos caminhos que ligavam o litoral, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro – às “Minas Gerais” e aos sertões do Brasil. As minas de Paracatu foram as últimas descobertas em Minas Gerais, no momento em que a extração do ouro chegava ao fim em outros locais. Diante disso, a cidade ganhou importância no cenário nacional, na primeira metade do século XVIII e conquistou o título de “Princesa do Sertão”. O arraial foi elevado a Vila de Paracatu do Príncipe, por alvará de D. Maria I, rainha de Portugal, em 1798. Era também o caminho de ligação entre os primeiros achados de ouro em Minas e, mais tarde, nas terras de Goiás. Era, também, pouso de tropeiros que transportavam o ouro de cidades goianas como Vila Boa de Goyaz, atual Goiás Velho, Luziânia, Pirenópolis, Corumbá, Jaraguá e Pilar de Goiás, para o litoral.

Manuel de Borba Gato faleceu, em 1718, aos 69 anos de idade, quando ocupava o cargo de Juiz ordinário da vila de Sabará. Aliás, cogita-se que seu corpo esteja enterrado entre as montanhas mineiras, em Sabará ou Paraopeba. Seja como for, a estátua localizada na confluência das avenidas Santo Amaro e Adolfo Pinheiro, em São Paulo, que o homenageia e que foi depredada vem sendo alvo de reiteradas polêmicas nos últimos anos, trazendo de volta a discussão sobre o papel dos bandeirantes na história colonial brasileira.

Como são escassas as informações sobre a vida pessoal de Manoel Nunes Viana, apenas algumas informações que descobrimos em nossas pesquisas: o líder emboaba por muito tempo foi morador nos confins do sertão, fazenda Tábua, uma das mais importantes de suas fazendas. Curiosamente também nunca foi casado, mas, com Antônia Alves de Mendonça, moça donzela, teve um filho natural identificado, e filhas, cujos nomes ainda são desconhecidos. Seu único filho varão, Caetano Rodrigues Soares, morador em São Romão em 1748, requereu mercê ao rei de Portugal, D. João V, para legitimá-lo, habilitando-o na herança do pai, e é atendido de acordo com documentos apresentados no processo, um desejo de seu pai em carta do próprio punho, que doente, “mandou buscar um tabelião em São Romão, para firmar o testamento do mesmo. Porém, devido à grande distância de 60 léguas e a cheia do rio São Francisco, a viagem demorou bastante, pois quando o tabelião chegou à fazenda, ele havia falecido há dois dias”. Uma outra versão da história do final da sua vida é que é Manoel Nunes Viana teria falecido na cidade da Baía do Salvador em 28 de janeiro de 1738 aos 70 anos de idade.

Manoel de Borba Gato e Manoel Nunes Viana são nomes de dois personagens que marcaram as páginas da nossa história! Dois grandes líderes empreendedores, pioneiros, corajosos desbravadores, de grande espirito aventureiro! Então caro leitor, qual deverá ser o reconhecimento da história aos principais expoentes dos bandeirantes paulistas nas Minas do Ouro de Sabará e Caeté? Heróis ou déspotas e usurpadores de direitos? Até o próximo artigo!

FONTE DE PESQUISAS: https://araposadachapada.blogspot.com/2017/07/mestre-de-campo-manuel-nunes-viana.html
FONTE DE PESQUISA: https://www.anptur.org.br/anais/anais/files/4/19.pdfA – história local como fator de atração turística: estudo da Guerra dos Emboabas em Minas Gerais

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