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Malha Fina

Publicado por Antonio Ângelo en Poesía
data: 25/09/2022

BENICIO CUNHA desenho 001A

Perante a autoridade fiscal
o poeta mostrou o que trouxera:
cadernos de folhas amareladas,
papéis de tamanhos diversos,
tudo cheio de garatujas.

O auditor viu a papelada sobre a mesa;
o que aquilo tinha a ver
com os assuntos pecuniários em pauta?

- Mas o senhor não possui bens,
pertences que transfira à Fazenda?
Afinal – e lhe mostrou o auto do enquadramento –
cá estão leis, decretos e artigos
que o incriminam em débitos!

O poeta olhou para o funcionário federal
e notou alem das grossas lentes esverdeadas
dois olhos que o fitavam com ironia.

Nada tinha de seu
a não ser a imaterial percepção do mundo.

A autoridade fiscal tirou os óculos,
virou-se para o assistente e ordenou:
- Não tem onde cair morto;
confisquem-lhe a Musa.

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Antonio Ângelo -
2 Comentários
  1. antonio angelo

    ILUSTRAÇÃO: Benício Cunha

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