Poesia

A rainha triste

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 16/01/2019

É um déspota esclarecido que bem trata os súditos e cobra-lhes justos impostos. Ninguém o vê em público a usar indevidas palavras ou cometendo disparates. À Rainha, entretanto, não cumula de cuidados: observam-na criados à noite a caminhar pelo corredores, cabelos soltos, passos medidos, sem destino definido. Outros em cerimônias em seus olhos percebem lampejos de furtivas lágrimas. Por que ao dela se aproximar o Re...

Finitude

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 15/01/2019

Eu vi Isnaldo Coqui descer a ladeira Com os cabelos agora esbranquiçados E pensei: é a neve – o inverno chegou. Não que o inverno seja tempo insosso Nada disso, meu amigo, longe de mim. O frio é branco como a face do osso Que nos olha nos olhos de Rubim em Rubim. Então vi Dona Maria vendendo bananas Num carrinho de mão, ladeira acima Com saudades do filho que a vida levou. Pois Sinésio sumiu no caminhão do circo Para...

Uma pequena prece

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 09/01/2019

Com o barro cozido do chão Faremos outra cidade Vamos nascer nessa cidade Antes que o dia se apague Erguer uma nova nação Com o pó que resta no chão Por toda a eternidade Brindaremos à amizade Nós vamos nos dar as mãos Antes que seja tarde E sobrevenha a escuridão É tudo que eu lhes peço Do fundo do coração Compartilhar este Artigo

Poema natalino

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 28/12/2018

Neste Natal envio essa caixa com presentes para os amigos cheia de jovens anos e de anos antigos Há quem os prefira empoeirados outros os que saem do forno vai um ano bem passado? ou um tinindo de novo? Recebam como gestos de ternura contidos ao passar do tempo em toda falta de abraço em cada longo silêncio Tantos anos vou distribuindo eles me carregam em seu bojo então recomendo cuidado ao abrirem o estojo São quase sess...

Poemas quase ineludíveis

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 20/12/2018

I Somente o seu nome É que ouvira Urdira Somente o seu colo é que Se conformara Relance inesperado Somente o estreito – incêndio Sob o cenário do ventre E adentro II Há de me atirar do alto Do penhasco Flechas direcionadas Ao meu peito Um revólver? Pontiagudo punhal? De me extinguir todos os jeitos De engendrar há de E eu, derrotado, ofegante Talvez genuflexo, sem a mínima Capacidade de perante ela Mínima intenção...

Do cárcere

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 11/12/2018

eis o mundo a infestar os olhos amalgamado de tal forma à retina que somente a ele é dado reconhecer nessa turbidez de espelhos nessa solidão de transeunte desde o tempo convertido em sombras ao réquiem da noite que se aproxima é o mundo uma profusão de vozes reverberadas por frestas e pátios para onde alguém relutaria embarcar por onde ninguém concederia seguir desde as tréguas no outono ao limiar do mais fátuo apo...

Farinha do mesmo saco

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 22/11/2018

nunca tirei grandes lições dessa interminável guerra aqui nos trópicos quando vem a tormenta abro a janela para que entrem os ventos do mundo e se desafio a lei da gravidade deixo cair os braços ao longo do corpo já quando perguntam da vida digo que desde pequeno meu sonho é virar farinha Compartilhar este Artigo

O que vejo

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 13/11/2018

Por mais que em sua plenitude Se instale a Primavera À minha volta Pontificam os arautos do monetarismo Por mais que a Lua flutue no ar Com indescritível beleza e sedução Vejo que à minha volta Mais atrai olhares a televisão Por mais que no jardim O tenro broto da Democracia viceje Vejo à minha volta os que se uniformizam E armas exibem à cintura Por mais que a alvorada Transpasse as janelas, imprima-se nas paredes Vej...