Poesia

Memórias de adobe

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 01/03/2021

a minha cidade tem gosto de terra e nos meus sonhos parece ser cinza como o barro do adobe na parede das pequenas casas desenhadas como um novo mundo nas telhas do bairro do ipê do outro lado das barrocas que as chuvas faziam ano após ano nas ruas antes ruivas mas que agora nos meus sonhos são cinzentas da cor do adobe com que ergueram as casinholas uma a uma para abrigar as famílias que a água a enchente caudalosa maltra...

Oh, não será!

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 17/02/2021

Base em tons suaves Blush nas faces, rímel realçando os cílios - capitulados olhares Lábios delineados, baton vermelho Decote desvendando tatuagens Sorriso de Garbo E sairei, sairei meu amor, nesta sexta-feira Livre, livre, livre! Mas não irei ao seu encontro Não irei – a abraça-lo, beijá-lo Entregar-me como vezes tantas fiz Buscarei outros acasos Outros roteiros – absurdos que sejam Meia-luz, abruptas cortinas se ...

Tricot

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 02/02/2021

O poeta é feito de retalhos. Não afirmo, deixo no ar a brisa da indagação: talvez seja, ou posso estar redondamente enganado. Como, aliás, estou a estar. São problemas de tecimento, de arejar a flauta com outra embocadura. Pode ser diferente, e isso não é ruim, é coisa boa, à qual me entrego de alma e vou velejando, assovio, nas lonjuras. Palavra é artefato difícil, que eu, curioso, manejo, mais mal do que bem – ...

Poema de ano novo

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 05/01/2021

Um ano novo Sem muito logro Um ano alegre De boa verve Um ano inteiro Legal, maneiro Um ano a mais Nos meus anais. Um ano vário No calendário Ano otimista Que pague à vista Um ano peço E não me avexo Um ano amigo É o que preciso. Um ano farto De muito abraço Ano inconteste Que bem nos preste Um ano amável Muito agradável Um ano ou nada Topo a parada. Um ano a esmo E com bom termo Ano poema Que valha a pena Um ano imen...

Novo ano velho

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 31/12/2020

antever o ano novo como uma vidente alçando de repente desnorteado voo para um estágio de venal felicidade hipotético apanágio ao cerne da verdade curtamos a ideia nem um pouco avara de que o futuro cede ao propósito das cartas ou a poções estranhas que em rutilantes doses nos levam a nirvanas em mirífica hipnose em êxtase projetemos de maneira pueril indescritíveis planos lindos céus de anil acatemos incontinentes ...

Para mim e para vocês, neste Natal

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 21/12/2020

I Dezembro é mês de fazer oferendas, de rogar, de jogar as cartas da esperança. II Em poema premonitório de alguns anos, feito em outro dezembro, abri o coração e pedi ao Criador: quero o meu país de volta! Era o meu desejo, continua sendo. Mas o Criador não me ouviu ainda. Chega sempre o fim do ano e renovo, de alma limpa, a minha súplica aos céus para que nos devolvam o país no estado em que se encontra. Pois eu q...

Pandemia

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 30/11/2020

Quando esta pandemia acabar Não restará nenhum abraço A dar e a vender. Já nos teremos esquecido. Novos hábitos virão, futuros e Presentes, adquiridos, pétreos. Eu olharei pela janela e aí está O mundo que desaprendi, Outro, diferente, triste, pétreo, Uma distância entre nós inteira Vai se interpor, como um muro De concreto armado, firme e Alto, tijolo e cimento, ou arame Farpado, e seremos esquecidos. Nos tocaremo...

Instável amante

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 19/11/2020

Gosto de poesia Como quem desvenda no céu Um casulo de nuvens Pouco importa se a poesia Se enverede por subúrbios Que adorne seus cabelos Que se torne de repente volúvel Na insegurança de uma teia Seguramente a poesia Pouco me serve É um desserviço Mas, continuemos, eu e ela A nos encontrar Num canto Num quintal mal cuidado Entre arbustos estéreis Que ela não me fuja Ou, se fugir Restar-me-ão às mãos Este delíquio,...