Poesia

Natureza morta

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 15/10/2019

a vida é um desfazimento que não tem começo nem fim como a sombra da lua tenta espalhar-se até lugar nenhum como o homem triste na rua silenciosa espia, inútil, o jardim a vida é como na pintura onde rústica e bela sobre a mesa entre talheres jaz esquartejada uma flor de urucum Compartilhar este Artigo

Francisco

Publicado por Antonio Carlos Santini
Data da publicação: 09/10/2019

Tela de Enrique López-Tamayo Biosca Em tudo a procurar o mais pequeno… Em tudo a preferir o mais oculto… Lá vai Francisco a projetar seu vulto, Que logo nos recorda o Nazareno… Não ergue a voz: tem o falar sereno. Não nos condena: a todos leva indulto. Amar e sempre amar – eis o seu culto, No coração de Paz e Bem tão pleno! De pés no chão, de roupa remendada, Atraindo as calhandras pela estrada, L...

Franciscana

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 01/10/2019

Zuzu Angel || Créditos: Reprodução Instituto Zuzu Angel Mirando-me no exemplo daquelas mulheres nem mesmo assim pude ter o prêmio de suas atenções, cantigas, poemas Foram penas sem conta embarques sem destino, cadenas embustes, embates intestinos sem nunca ao retornar ter suas carícias plenas Fingi-me de Ana de Amsterdã não me esquivei de ser Joana a Francesa – (Rita, capaz de tudo Chica doidivanas causando perd...

Quase um embornal

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 17/09/2019

Foto: Marina Jardim, óleo sobre tela, Pedras de Rubim No meu agora fatigado coração Que não é grande nem pequeno Cabe toda a pequena cidade. Junto com ela vem a Cangalha Que é como chamam aquela serra Cinzenta e partida ao meio. Ainda sobra algum espaço Para o bar de Eliezer, que fechou. Cabe também o bigode de Eliezer. Tem lugar para Seu Nonô erguer O posto de gasolina e a oficina. No meu coração, que de perto é P...

Tarde ainda que

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 23/08/2019

Marília está na cidade Em meio ao caos Vemos quando - No canteiro da grande avenida - Posa para fotos À direita e à esquerda O furor dos veículos Gás carbônico, odores, buzinas, sirenes No sinal à frente, em tempo medido Transeuntes entrecruzam-se nas faixas Veste um longo negro Faz poses, expressões, bocas Puxa o cabelo para frente Dobra a perna, a coxa à mostra O fotógrafo explorando ângulos Quantos parados a obs...

Esse meu fado

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 16/08/2019

No quarto crescente desta madrugada um anjo empilha versos invisíveis ao lado da minha cama enquanto durmo, assim imagino. Não alcei altos voos mas entrego os meus poemas como uma dádiva, acredito. Dos versos invisíveis extraio a minha gramática está escrito. Na ribanceira minguante deste outono o anjo assopra poema em meu ouvido mas eu logo o perco quando acordo, assim imagino. Não entreguei a alma mas me dobrei ao sen...

Para onde correm nossos rios?

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 30/07/2019

Alberto Caieiro é quem diz: O rio da minha aldeia não faz pensar em nada Quem está ao pé dele está só ao pé dele Para o Poeta, o Tejo não é mais belo que o rio Que corre em sua aldeia. O Tâmisa escorre grandioso por Londres Vi pessoas pescando à beira do Sena Mississipi, Nilo, quantos maravilhosos rios Mas o que me interessa, são os rios de minha aldeia. Pobres e vilipendiados rios de minha terra A que ponto os lev...

A inconsistência dos dias

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 25/07/2019

Que dia é este Que escorre das venezianas Com sua luz leitosa? Lá fora o inverno governa impiedoso Vejo sobre a mesa de cabeceira a cristalização Da cínica implacabilidade das horas Papéis se amontoam ao pé da cama Ligo a televisão e a monotonia rotineira Em nada pode me animar Os dias, que são os dias afinal? Como livros aos milhares numa biblioteca As lombadas dispostas para as decifrarmos Sem que nossos olhos nelas...