Poesia

Águas em dezembro

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 10/12/2019

Debruço o corpo sobre o parapeito Na noite de águas e relâmpagos E vejo sobrevoando na garoa Em torno da lâmpada do poste A inevitável borboleta noturna Eu, como a mariposa, procuro a luz E posso vê-la ao longo dos telhados Vencer a batalha contra a escuridão Como eu, quase todo santo dia Travo a minha contra o esquecimento Que penetra lentamente a medula Nos espelhos vítreos do hipocampo A devorar o passado e a memór...

Premonição

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 18/11/2019

Na antevéspera de seu fim Vou vestir-me de negro Ninguém entenderá porque Visitarei alguma igreja E rezarei o que consigo Ave-Marias e Padres Nossos Caminharei nas alamedas Irei à casa e ao quintal Onde a sua presença se fez contínua E se estenderam os liames Que sustentaram o que nos conteve O que fez nossa essência Quando então o dia chegar - Que seja um dia de clemência - Todos estranharão meus olhos secos Não sa...

Ópera na madrugada

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 13/11/2019

Enquanto durmo A alma me abandona Vaga ao léu pela casa antiga Perambula sobre as ruas da pequena cidade Dialoga em sonhos Com o espírito dos ausentes Para depois retornar fatigada ao abrigo do meu corpo. E assim acordo para mais um dia Outro sonâmbulo neste mundo turvo Ao alcance da tristeza, da solidão e do desalento À procura da passagem que conduza enfim ao princípio Com a pressa dos computadores e dos automóveis Na...

Recuerdo

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 22/10/2019

Querido, estou indo embora deixo comida na geladeira a casa arrumada Roupas da semana camisas, calças e as demais todas limpas e passadas no armário As contas que chegaram as a vencer sobre a cômoda Por um tempo, foi bom não nego depois algo desandou No decorrer dos anos olha que não poucos Fastio? Desencanto? Não, não o esperarei à porta não nos estenderemos na cama “Como si fuera ésta noche la última vez” Na g...

Natureza morta

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 15/10/2019

a vida é um desfazimento que não tem começo nem fim como a sombra da lua tenta espalhar-se até lugar nenhum como o homem triste na rua silenciosa espia, inútil, o jardim a vida é como na pintura onde rústica e bela sobre a mesa entre talheres jaz esquartejada uma flor de urucum Compartilhar este Artigo

Francisco

Publicado por Antonio Carlos Santini
Data da publicação: 09/10/2019

Tela de Enrique López-Tamayo Biosca Em tudo a procurar o mais pequeno… Em tudo a preferir o mais oculto… Lá vai Francisco a projetar seu vulto, Que logo nos recorda o Nazareno… Não ergue a voz: tem o falar sereno. Não nos condena: a todos leva indulto. Amar e sempre amar – eis o seu culto, No coração de Paz e Bem tão pleno! De pés no chão, de roupa remendada, Atraindo as calhandras pela estrada, L...

Franciscana

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 01/10/2019

Zuzu Angel || Créditos: Reprodução Instituto Zuzu Angel Mirando-me no exemplo daquelas mulheres nem mesmo assim pude ter o prêmio de suas atenções, cantigas, poemas Foram penas sem conta embarques sem destino, cadenas embustes, embates intestinos sem nunca ao retornar ter suas carícias plenas Fingi-me de Ana de Amsterdã não me esquivei de ser Joana a Francesa – (Rita, capaz de tudo Chica doidivanas causando perd...

Quase um embornal

Publicado por Wesley Pioest
Data da publicação: 17/09/2019

Foto: Marina Jardim, óleo sobre tela, Pedras de Rubim No meu agora fatigado coração Que não é grande nem pequeno Cabe toda a pequena cidade. Junto com ela vem a Cangalha Que é como chamam aquela serra Cinzenta e partida ao meio. Ainda sobra algum espaço Para o bar de Eliezer, que fechou. Cabe também o bigode de Eliezer. Tem lugar para Seu Nonô erguer O posto de gasolina e a oficina. No meu coração, que de perto é P...