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Pesticidas: o perigo aumenta!

Publicado por Antonio Carlos Santini em Agropecuária, Meio Ambiente, Saúde Pública
data: 11/07/2016

Pesticidas o perigo aumenta

Além de ameaçarem a saúde humana, os pesticidas poluem o solo, a água e o ar, e aumentam os gases de estufa. Nada justifica a sua utilização crescente.
 
Reportagem publicada pelo jornal “Le Monde” de 22/03/2016, assinada por Angela Bolis, revela assustadores dados sobre o uso de pesticidas na França, o que ocorre, aliás, em todo o planeta. Naquele país, segundo cifras oficiais, o setor agrícola revela o crescimento médio anual de 5,8% entre 2011 e 2014, acelerado nos últimos anos, + 9,4% entre 2013 e 2014. Apesar disso, no maior produtor agrícola da Europa, mostra-se cada vez menor a produção de cereais, oleaginosas, frutas e beterrabas.

São inquietantes os riscos para a saúde humana sob o impacto de substâncias químicas. Uma poderosa indústria de pesticidas – sob o rótulo adocicado de “defensivos agrícolas” – distribuída entre seis multinacionais do ramo resulta na exposição permanente de crianças a cerca de 130 poluentes químicos. Segundo o Instituto de Vigilância Sanitária da França, é real a onipresença dos pesticidas: 100% da população traz os traços desses invasores, mesmo que em doses fracas, o que não as torna inócuas.

A mistura desses agentes químicos pode desencadear um “efeito coquetel”: duas substâncias isoladamente inativas podem revelar-se tóxicas quando juntas, o que não é levado em conta no momento de sua liberação para uso. Entre seus efeitos, perturbações endócrinas capazes de interferir no sistema hormonal, mesmo sob exposição muito fraca.

O arsenal do inferno

Em geral, classificam-se os pesticidas como CMR – cancerígenos, mutagênicos (tóxicos para o DNA) ou reprotóxicos (nocivos à fertilidade). Algumas dessas substâncias são suspeitas em doenças ligadas ao sistema hormonal: diabetes tipo 2, obesidade, cânceres homonodependentes (seio, próstata, tiroide) e perturbações neurocomportamentais (hiperatividade, problemas de atenção etc.). Isto sem levar em conta o autismo, subdesenvolvimento do cérebro, microcefalia? e prejuízos para a capacidade cognitiva. O Mal de Parkinson já foi incluído como doença profissional relacionada aos pesticidas.

As crianças, mulheres grávidas e os fetos são os mais sensíveis à agressão dessas substâncias. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a intoxicação por inseticidas, herbicidas e fungicidas provoca cerca de 250.000 mortes por ano. Já existe uma jurisprudência para a indenização de agricultores vitimados por tais produtos.

A morte das abelhas

Pesticidas o perigo aumenta 2

Um dos sinais de saúde ambiental é a presença de abelhas, principais responsáveis pela polinização de frutíferas. Os pesticidas devastam o meio ambiente, destroem microorganismos do solo e insetos polinizadores, os primeiros a serem atingidos.

Estudo do governo francês reconhece os efeitos letais e subletais dos inseticidas neonicotinoides sobre as abelhas e sua ação polinizadora, da qual depende diretamente ¾ das principais culturas mundiais. O custo econômico dessa devastação é incalculável. Nos EUA, no início dos anos 90, os pesticidas contribuíram com 27 bilhões de dólares anuais para a economia americana, mas custaram ao menos 40 bilhões por ano.

Entre estes custos, figuram os prejuízos ambientais, o tratamento de doenças crônicas e a perda de produtividade dos agricultores. Não esquecer a perda de rendimentos devida às resistências aos pesticidas que foram desenvolvidas por ervas daninhas ou por predadores.

A opinião pública já conseguiu pressionar os legisladores no sentido da proibição de pesticidas de alto risco, como o DDT, o Cruiser OSR, o Gaucho, este para sementes de milho, e a atrazina, cuja presença nefasta persiste no ambiente por muitos anos, após sua retirada do mercado.

De volta ao natural

A principal alternativa aos pesticidas é a agricultura biológica, hoje em franco crescimento em todo o mundo. Na França, as áreas dedicadas a esta modalidade de plantação cresceu 17% em um ano, para atingir 1,3 milhão de hectares em fins de 2015. O número de produtores que aboliram pesticidas e adubos químicos cresceu 8,5%, somando 28.725, o que representa apenas 6,5% das fazendas francesas, mas perto de 10% dos empregos na agricultura.

O atual ministro da agricultura, Stéphane Le Foll, considera esta opção como um caminho a seguir para se livrar dos pesticidas. A agroecologia agrega cada vez mais partidários, adotando os meios fornecidos pelo próprio agrossistema para substituir os insumos químicos, como as culturas associadas e os insetos predadores auxiliares.

Nos países do Terceiro Mundo, as multinacionais dos agrotóxicos mostram-se cada vez mais agressivas, formando lobbies que atuam diretamente nos órgãos legislativos, com os conhecidos efeitos de corrupção sistêmica.

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Antonio Carlos Santini - Licenciado em letras – Português e Francês. Professor de Artes e Ciências Humanas. Evangelizador, compositor, autor de vários livros de catequese e poesia/ Licenciado en letras - Portugués y Francés. Profesor de artes e ciencias humanas. Es evangelizador católico, compositor de músicas religiosas, autor de varios libros de catequesis y poesía. Residente em Belo Horizonte MG
Comentário
  1. A divulgação destas informações é fundamental O Instituto Nacional de Câncer do Brasil ,e a Fiocruz tem apresentado vários estudos que também demonstram os malefícios do uso indiscriminado destes venenos no Brasil !

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