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Onde – não sei
hão de arriar suas mochilas?
No bosque à beira do riacho?
À sombra de um ipê florido?
À entrada de uma caverna?
Chegou a hora de partir!
Caminhando rumo ao horizonte
no altiplano
sob a sombra fugidia das nuvens
que acima perambulam
Chegou a hora de partir!
Surgem matagais
pássaros, buritizeiros, chuva
o arco-íris, um diadema
sobre seus corações juvenis
indômitas fibras pulsantes
Chegou a hora de partir!
Mãos dadas, não se largam
caminham sem parar
sempre em frente
sem olhar para trás
Chegou a hora de partir!
Muitos perceberão quando
na paisagem do povoado
não mais seus cumprimentos
suas canções matinais
brincadeiras ao anoitecer
suas passadas, seus sapatos gastos
marcando o barro dos becos
o namoro à penumbra dos alpendres
Chegou a hora de partir!
A timidez dele, seus olhos inquietos
dela, longos cabelos ao vento
o inocultável desejo de fugir
dos que desconhecem fervores outros
que o das trocas vantajosas
Chegou a hora de partir!
Por certo perguntarão:
por que não ao menos um adeus?
Nem um gesto em que se percebesse
que estavam a partir?
Nenhum relato de quando depois do último quintal
seguiram para rumo desconhecido?
Chegou a hora de partir!
O que os espera, pouco importa
quer sejam pântanos
ventos a varrer os vales
quer a sanha de animais
fome, sede, repentinas tempestades
Chegou a hora de partir!
Vão em busca de um tempo de desvelos
num local sem olhares de censura
onde enfim hão de se descobrir
entre intimidades, conluios
sequência de presentes desdobráveis
ímpetos, entregas e fetiches
Chegou a hora de partir!
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