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A Totalidade do Ser

Publicado por Editor em Castaneda e Don Juan
data: 10/03/2011

A totalidade do ser

Nosso ser total consiste em dois segmentos perceptíveis. O primeiro é o corpo físico conhecido que todos nós podemos perceber; o segundo é o corpo luminoso, um casulo que nos dá a aparência de ovos luminosos.

Os homens parecem diferentes quando você vê. São como fibras de luz, como teias de aranhas brancas. Fios muito finos que circulam da cabeça ao umbigo. Assim, o homem parece um ovo de fibras circundantes. E seus braços e pernas são como espinhos luminosos, espocando em todas as direções.

Além disso, todos os homens estão em contato com tudo o mais, não por suas mãos, mas por meio de um punhado de fibras compridas que saem do centro de seu abdômen. Essas fibras ligam o homem a seu ambiente; mantêm seu equilíbrio; dão-lhe estabilidade.

Assim, como algum dia você poderá ver, o homem é um ovo luminoso, quer ele seja mendigo ou rei, e não há jeito de modificar nada, ou melhor, o que poderia ser modificado naquele ovo luminoso? O que?

Quando os feiticeiros dos tempos antigos estavam examinando minuciosamente o corpo com seu olho de visão, notaram a presença de vórtices. Ficaram muito curiosos a esse respeito e fizeram um mapa deles.

Cada centro de energia no corpo mostra uma concentração de energia; uma espécie de vórtice de energia, como um funil, que, da perspectiva do vidente, parece realmente girar no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. A força de um determinado centro depende do vigor do movimento. Se ele mal se move, o centro fica exaurido, esvaziado de energia.

Existem centenas desses centros, senão milhares! Pode-se dizer que um ser humano não é mais que um conglomerado de milhares de vórtices giratórios, alguns deles tão minúsculos que são, vamos dizer, como furinhos de alfinete, mas furinhos muito importantes. A maioria dos vórtices são vórtices de energia.

A energia flui livremente através deles ou fica presa neles. No entanto existem seis tão enormes que merecem tratamento especial. São centros de vida e vitalidade. Neles a energia nunca fica presa, mas às vezes o suprimento de energia é tão escasso que o centro mal gira.

Estes pontos representam um ser humano e podem ser traçados de qualquer jeito que se queira. A forma exterior não tem importância. São oito pontos nas fibras de um ser luminoso. O ser humano é, antes de tudo, a vontade, porque a vontade é diretamente ligada a três pontos: sentir, sonhar e ver; depois o ser humano é razão. Esta, propriamente, é um centro menor do que a vontade; só está ligada a falar.

Podemos dizer que cada um de nós traz ao mundo oito pontos essenciais. Dois deles, razão e falar, são conhecidos de todos. Sentir é sempre vago, mas meio conhecido. Mas somente, no mundo dos feiticeiros é que a gente vem a conhecer plenamente sonhar, ver e vontade.

E, por fim, na extremidade desse mundo encontramos dois outros que nunca cederão a falar nem a razão: o tonal e o nagual. Somente a vontade pode manobrá-los. A razão está tão distante deles que é inteiramente inútil tentar entendê-los. Essa é uma das coisas mais difíceis de compreender; afinal de contas, o forte da razão é conceber tudo.

Ao que eu saiba, só há oito pontos que o homem seja capaz de manejar. Talvez os homens possam ir além disso. Eu disse manejar, não compreender, reparou?

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