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A Instalação Alienígena

Publicado por Editor em Castaneda e Don Juan
data: 22/02/2012

Cada um de nós, seres humanos, tem duas mentes. Uma é totalmente nossa, e é como uma voz fraca que sempre nos traz ordem, integridade, propósito. A outra mente é uma instalação forânea ou alienígena. Nos traz conflito, auto-afirmação, dúvidas, desesperança.

Em outras palavras uma é a nossa mente verdadeira, o produto de todas as experiências de nossa vida, aquela que raramente fala porque foi vencida e relegada à obscuridade. A outra, a mente que nós usamos diariamente para tudo o que fazemos, é uma instalação forânea.

Esse centro de energia não pertence inteiramente ao homem. Entenda, nós seres humanos estamos, por assim dizer, sob estado de sítio. Esse centro foi assumido por um invasor, um predador invisível. E a única maneira de dominar esse predador é fortificando todos os outros centros.

Eu vejo a energia e vejo que a energia sobre o centro no topo da cabeça não flutua como a energia dos outros centros. Ela tem um movimento de um lado para o outro muito desagradável e muito estranho. Também vejo que, em um feiticeiro que foi capaz de dominar a mente, que os feiticeiros chamam de uma instalação alienígena, a flutuação desse centro torna-se exatamente como a flutuação de todos os outros.

Nossas mesquinharias e contradições, na verdade, são o resultado de um conflito transcendental que aflige cada um de nós, mas somente os feiticeiros são dolorosa e irremediavelmente conscientes dele: o conflito entre nossas duas mentes.

Um Predador das Profundezas

Há inúmeras forças externas controlando você nesse momento. O controle a que estou me referindo é algo fora do domínio da linguagem. É o seu controle e ao mesmo tempo não é. Não pode ser classificado, mas pode ser experimentado. E acima de tudo, pode certamente ser manipulado. Lembre-se disso: pode ser manipulado para a sua total vantagem; claro que, novamente, não é a sua vantagem, mas a vantagem do corpo energético do sonhador.

Entretanto, o corpo energético é você, portanto poderemos continuar eternamente, como um cachorro correndo atrás de seu próprio rabo, tentando descrever isso. A linguagem é inadequada. Todas essas experiências estão além da sintaxe.

Esse é o universo em liberdade, incomensurável, não-linear, fora do reino da sintaxe. Os feiticeiros antigos foram os primeiros a ver umas sombras fugazes cruzando o campo visual, então começaram a segui-las. Eles as viam como você as vê, e eles as viam como energia fluindo no universo. E descobriram algo transcendental.

Descobriram que possuímos um companheiro por toda a vida. Possuímos um predador que veio das profundezas do cosmo, e assumiu o controle dos preceitos de nossa vida. Os seres humanos são seus prisioneiros. O predador é nosso senhor e mestre. Nos faz dóceis, indefesos. Se queremos protestar, ele suprime nossos protestos. Se queremos agir independentemente, exige que não o façamos.

Este é o tópico dos tópicos para os feiticeiros antigos: somos mantidos prisioneiros! Esse é um fato energético. Há uma explicação para o controle do predador sobre nós, que é a explicação mais simples do mundo. Eles assumiram o controle porque somos alimentos para eles, e eles nos esmagam sem piedade porque somos seu sustento. Assim como criamos galinhas em quintais, galinheiros, os predadores nos criam em humaneiros. Portanto somos permanentemente alimento disponível a eles.

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Comentário
  1. Sânia

    Penso que este predador está dentro de nós… Nós o criamos e o alimentamos para enfrentar e sobreviver no humaneiro. A princípio para nos defender e proteger. Mas ele se transformou ao longo de nossas vidas em armaduras, numa “casca grossa”. E nos identificamos com esta outra mente que “é uma instalação forânea ou alienígena. Nos traz conflito, auto-afirmação, dúvidas, desesperança”. Esquecemos de quem somos, da outra mente “a nossa mente verdadeira, o produto de todas as experiências de nossa vida, aquela que raramente fala porque foi vencida e relegada à obscuridade”. Então a vida nos desafia a uma busca “eu caçador de mim”. É como diz um provérbio popular chinês: “É preciso jogar fora a casca para resgatar o grão”.

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