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Do cárcere

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 11/12/2018

Do cárcere

eis o mundo a infestar os olhos
amalgamado de tal forma à retina
que somente a ele é dado reconhecer
nessa turbidez de espelhos
nessa solidão de transeunte
desde o tempo convertido em sombras
ao réquiem da noite que se aproxima

é o mundo uma profusão de vozes
reverberadas por frestas e pátios
para onde alguém relutaria embarcar
por onde ninguém concederia seguir
desde as tréguas no outono
ao limiar do mais fátuo apocalipse

é o mundo a corda de toda lira
crucifixado em silêncio à ruína
submetido por capital ao relento
desde a reza ao voto
qualquer terra lhe tenha parido

é o mundo a árida dormência
de ranger em vão os dentes
um lombo fustigado a relho
desde a lição ao castigo

é o mundo nem se houver outro
ou se a este estamos resumidos
desde a mais tenra indecência

eis o mundo que perdeu o paraíso
após o que se quedou indiferente

antes agora e para todo o sempre

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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