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Consumo de café no mundo – parte II

Publicado por Sebastião Verly em Comércio, Crônicas, Globalização, Tendências e Mercados
data: 11/08/2015

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Outro fator por trás do crescimento da demanda do café em todo o mundo é o aumento de vendas das máquinas de cápsulas de café individual, tipo expresso.

Uma pesquisa realizada no início de 2014 pela Associação Norte-Americana de Café (US NCA) constatou que 15% dos entrevistados possuía uma máquina de monodoses em casa, acima dos 12% no ano anterior, e 25% das pessoas disseram que estavam propensas a comprar uma nos próximos seis meses. Enquanto isso, os varejistas estão expandindo sua gama de cápsulas de café para venda, ou mesmo combinando com outros produtos como cápsulas de leite, de chocolate e até de chá, bem como focando no marketing das máquinas de monodoses.

A sofisticação das variedades é tanta que hoje descobriu-se que a Alemanha, que não produz um único grão, é considerada a maior exportadora mundial de café em valor agregado.

O Brasil vive um momento diferente do que se percebe no restante do mundo. Ao contrário do mercado global, o brasileiro tende a ampliar seu consumo da modalidade arábica, de maior valor e qualidade, em detrimento do robusta, de preços populares. No varejo brasileiro, o pó do arábica custa duas a três vezes mais, e algumas subvariedades como café orgânico do cerrado, da modalidade catuaí, chega a custar cinco vezes mais. Um dos motores do crescimento da venda do tipo arábica no país são as boutiques de café e a ‘descoberta’ das cápsulas pelos brasileiros, muito mais ‘práticas’, eliminando o ritual da “coada”.

Vale mencionar que a China, a partir da província de Yunnan começou a exportar café para a Europa por ferrovia. A saída do primeiro trem se deu em junho/2015, com destino ao porto holandês de Roterdã.

Embora o chá seja tradicionalmente muito popular na Rússia, o país também é grande consumidor de café, representando cerca de 2,5% do consumo global. No entanto as perspectivas macroeconômicas daquele país somado às sanções do Ocidente pelo conflito na Ucrânia têm sido um empecilho para a ampliação do consumo do grão no curto prazo.

O sudeste asiático também tem um baixo consumo de café per capita, embora a demanda esteja crescendo rapidamente principalmente nos países produtores, como a Indonésia e o Vietnã. O aumento da renda incentiva redes como a Starbucks a anunciar planos para abrir lojas na Indonésia e Filipinas.

O consumo de café na Ásia será liderado pelo consumo fora de casa. As redes internacionais de café também irão aumentar seu foco no aumento do consumo de café na Ásia, onde o chá é tradicionalmente a bebida dominante. O consumo de café na China e na Índia, ambos pequenos consumidores de café com um número estimado de 640 mil e 1,9 milhão de sacas de 60 kg, respectivamente, em 2012/13, de acordo com a Organização Internacional do Café (OIC) – continuará crescendo.

Grande parte do crescimento na China será no consumo fora de casa, refletindo a crescente popularidade da cultura de “coffee-shops” em centros urbanos, especialmente entre os consumidores mais jovens. O número de lojas de café na China mais do que dobrou entre 2007 e 2013, e deverá continuar a crescer acentuadamente, apoiando o crescimento firme do consumo de café.

Acredita-se que o conceito de coffee-break, a pausa para o café nos intervalos menores de palestras, seminários, reuniões, congressos, etc, difundido a partir dos Estados Unidos por todo o mundo, seja uma boa fonte de motivação para a difusão da bebida. Me lembro de uma cena emblemática em um filme de Luís Buñuel, mestre do surrealismo, mostrando um grupo animado de intelectuais em um Café de Paris, e um deles após, saborear a bebida, suspira: “tenho pena dos povos que se contentam com chá”.

Saindo das emoções provocadas pelo calor da bebida, voltemos à frieza dos números. Há previsão para o crescimento de 0,3% ao ano na União Européia, e 1% para os Estados Unidos.

Afora o Brasil, os outros países da América Latina também verão um forte crescimento no consumo fora de casa, sustentado pela expansão de cadeias internacionais de varejo. Um mercado que atraiu a atenção dos investidores internacionais foi o da Colômbia, terceira maior economia da região, com a Starbucks abrindo sua primeira loja em julho/2015.

A forte demanda na Arábia Saudita ajudará o aumento do consumo no Oriente Médio de forma sólida nos próximos anos, mas há tendências divergentes dentro da região pela instabilidade política.

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Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
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