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Pitangui, Cidade Presépio

Publicado por Padre Joao Delco Mesquita Penna em Crônicas Culturais, História
data: 18/05/2022

Pitangui, "Casarão do Velho da Taipa, Estátua do Bandeirante e Capela da Penha"

Segundo os historiadores, Pitangui foi o mais importante centro agrícola-comercial mineiro, com destaque para a pecuária, no Ciclo do Ouro, fim dos anos 1700 e início dos anos 1800. Cortando um trecho do bairro da Penha, pode-se chegar a uma outra “Estrada Real”, que ligava a Vila até Paracatu e daí a Goiás Velho, a “Picada de Goiás”, por aí passavam as mercadorias, nos anos 1700–1800.

A Estação Ferroviária de Pitangui foi inaugurada em 1891 pela Viação Oeste de Minas, já teve o nome de Estação Velho da Taipa e de Martinho de Campos durante um período. A partir de 1921, a estação, na linha original, passou a ser o ponto de saída da linha da E. F. Paracatu, que atingiu, em seu ponto máximo, Barra do Funchal, em 1937, sem jamais ter alcançado a cidade de Paracatu. Nessa época o trecho já era parte da Rede Mineira de Viação e seria ligado a Azurita, na linha que ligava Belo Horizonte a Garças de Minas, atual Iguatama.

Como não poderia deixar de ser, Pitangui teve seus frutos na política Brasileira que vem das raízes históricas. Famílias tradicionais pitanguienses do século XVIII, como Antônio Rodrigues Velho, o Velho da Taipa, e posteriormente do casal Inácio de Oliveira Campos e D. Joaquina do Pompéu, a Dama do Sertão, que teve entre seus descendentes ninguém menos que Getúlio Vargas, Campos Sales, Rodrigues Alves, Juscelino Kubitschek, Gustavo Capanema, Francisco Campos, Benedito Valadares, Pedro Aleixo, Milton Campos, Afonso Arinos de Melo Franco, Magalhães Pinto, dentre outros.

Um dos destaques da política pitanguiense foi Gustavo Capanema, ministro da Educação. que mais tempo ficou no cargo em toda a História do Brasil, onze anos. Foi o criador do IPHAN, SENAI, INEP, dos cursos de Jornalismo, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Educação Física e Arquitetura e Urbanismo. É de sua lavra a frase considerada de crítica à República Velha: “Não basta mandar o papel pra frente, tem que resolver o problema”.

Outro que se sobressaiu foi Martinho Álvares da Silva Campos, que foi Primeiro Ministro do Império e Governador do Rio de Janeiro. Além destes, Olegário Maciel, Ivan Pedro de Martins e Benedito Cordeiro dos Campos Valadares, também tiveram projeção nacional. Duas das mais importantes matriarcas mineiras do século XVIII e XIX, Maria Tangará e D. Joaquina, viveram em Pitangui e tinham grande poderio econômico, tendo a segunda sustentado a Corte Portuguesa, com mantimentos, na sua vinda para o Brasil, em 1808. Pitangui também é arte. Na música, nomes de sucesso, com destaque para bandas, grupos de seresta, corais e cantores com reconhecimento regional, nacional e internacional.

Na literatura, destaque para José Rangel, que além de grande escritor, foi um dos fundadores da Academia Mineira de Letras e do 1º grupo escolar de Minas Gerais, em Juiz de Fora. Também merece citação, Bartolomeu Campos Queirós, ganhador do Prêmio Jabuti, em 1983. Na arte da caricatura e dos cartuns, a figura ímpar de um dos pioneiros da Rede Globo de Televisão – Mauro Borja Lopes, o Borjalo. É o criador da Zebrinha da Loteca, atração das crianças do Brasil, nos anos 70/80, do primeiro logotipo da emissora, da vinheta do “plim-plim” e idealizador do Jornal Hoje e do Fantástico, além de muitas novelas que marcaram época.

O Instituto Histórico de Pitangui, cujo prédio, também tombado pelo Patrimônio Nacional, guarda um dos principais acervos sacros do Estado e o mais completo arquivo judicial do Centro-Oeste Mineiro, um dos maiores do País. Guarda relíquias da história econômica, indígena, além de Museu da Imagem e do Som, máquinas tipográficas, mobiliário de época e peças do período de guerras e da escravidão.

Para quem gosta de ecologia, Pitangui também não faz feio. A mina d’água da Gameleira, as Matas do Céu, da Rocinha e da Pedreira, bem como os rios Pará e São João são verdadeiros convites à aventura e ao descanso. E, para completar o quadro paisagístico, destaque para o Cristo Redentor e a Capela, no alto da Serra da Cruz do Monte, um local aprazível, de onde se contempla toda a cidade.

Após se deleitar com as belezas da cidade, o turista pode optar por uma vasta rede hoteleira, de variados preços e gostos, incluindo dentre eles hotéis-fazenda, pousadas e ainda apreciar música ao vivo, além da boa cozinha mineira em churrascarias, lanchonetes, restaurantes e bares da cidade. Ao longo do Rio Pará se veem muitos Ranchos de Pescaria, muito frequentados nos finais de semana. Pitangui, cidade-presépio, busca, agora, novos rumos, com o fortalecimento de sua estrutura educacional, de saúde e desenvolvimento da indústria turística, em pleno século XXI.

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Padre Joao Delco Mesquita Penna -
4 Comentários
  1. Sebastião Verly

    Wikipédia, sem citar a fonte: “Gustavo Capanema foi o Ministro da Educação que mais tempo ficou no cargo em toda a história do Brasil (1934 a 1945, aproximadamente 11 anos contínuos).” Pagar um padre pra copiar a Wikipédia é uma grade perda de tempo

  2. Sebastião Verly

    “Não basta despachar o papel, é preciso resolver …”. Uma coisa e “mandar o papel” outra é o que era escrito num modelo de cédula da campanha do Gustavo Capanema. Quando ele não souber, basta consultar a Wikipedia

  3. Maria de Lourdes Ferr9eira Machado

    Da abundância do ouro de outrora ao berço do esporte de aventura, artesanato e muita natureza para relaxar. Visitemos Pitangui. Esses artigos trazem a história pra perto de nós. Parabéns!

  4. Maria Eugênia Samartini

    Então Getúlio Vargas, também, descendia de um casal de Pitangui?
    Pensava que ele era genuinamente Gaucho-RS

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