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VI – As Torcidas Organizadas ao redor do mundo

Publicado por Mateus Resende, Abner Faustino e Rafael Orsini em Futebol
data: 22/08/2017

As Torcidas Organizadas ao redor do mundo

Nesse artigo tomamos como referência o artigo de Felipe Tavares Paes Lopes e Mariana Prioli Cordeiro intitulado “Torcidas organizadas do futebol brasileiro: singularidades e semelhanças com outros grupos de torcedores da América do Sul e da Europa”, publicado na Revista Espaço Acadêmico em janeiro de 2010.

Desta feita, as comparações com outras torcidas ao redor do mundo foram inevitáveis. As torcidas organizadas foram constantemente chamadas de hooligans brasileiros. Os hooligans são torcedores que se concentram no Reino Unido – berço do futebol – e utilizam-se da rivalidade por meio da violência que ocorre tanto dentro quanto fora de campo, verbal ou fisicamente. As semelhanças se dão a partir da sua formação: ambos têm em sua maioria jovens de camadas mais populares da sociedade, que desenvolvem um forte sentimento de pertencer àquele grupo. A violência também é dada como semelhança entre hooligans e torcedores organizados, apesar de que os torcedores organizados geram uma pequena parcela de ocorrências se comparadas aos hooligans.

Na América do Sul, outros grupos também se assemelham aos torcedores organizados. Conhecidos como barra bravas, esses torcedores transformam as partidas de futebol em verdadeiras festas com faixas, bumbos e diversos outros artefatos que fazem do estádio um espetáculo de pirotecnia. As semelhanças se dão em diversos aspectos: além de serem acusados de todo e qualquer tipo de violência decorrente do futebol, os barra bravas

barra bravas

Entre hooligans, barra bravas e torcedores organizados, a maior de suas semelhanças se dá na força política e constante oposição às diretorias dos clubes. As torcidas organizadas costumam se posicionar na arquibancada ou em protestos nas sedes sociais dos clubes, centro de treinamento ou até mesmo em patrulhas para jogadores que possam estar descompromissados – na avaliação da torcida – com o clube. Os barras são capazes de eleger membros do conselho diretor dos times argentinos e, assim, pressionar a diretoria do clube e determinar a hora em que um dirigente deva sair do clube e os hooligans pressionam os clubes utilizando o mesmo método das torcidas organizadas.

Entretanto, as diferenças são muito maiores do que as semelhanças entre a torcida organizada, os barra bravas e os hooligans. Lopes e Cordeiro citam o exemplo da xenofobia e do racismo.

Enquanto, por exemplo, na Argentina, mesmo em jogos entre clubes nacionais, a referência aos paraguaios, bolivianos e brasileiros, como forma de insulto, é comum, já no Brasil, tirando alguns casos excepcionais, a rivalidade entre os torcedores organizados raramente leva a demonstrações explícitas de racismo e xenofobia.

Outro exemplo dado por Lopes e Cordeiro é a exaltação à violência. Enquanto hooligans e barra bravas vangloriam seus feitos, as torcidas organizadas utilizam o discurso de “paz nos estádios”, mesmo que seja um discurso muitas vezes hipócrita e também uma forma de passar uma imagem mais amena à mídia e aos demais torcedores.

Hooligans, por sua vez, não têm a mesma organização das torcidas organizadas brasileiras. Compostas – como já citado anteriormente – por uma diretoria e configurada como empresas, inclusive com CNPJ, as organizadas são estruturas formais de organização, enquanto os britânicos compõem uma agremiação muito mais informal e configurada por meio de relações hierárquicas. As torcidas também têm alianças com outras organizadas, diferente dos hooligans, que são ligados apenas a eles próprios. As sedes das TOs são outro exemplo de uma organização mais formal.

O envolvimento político também é destacado por Lopes e Cordeiro:

Enquanto alguns hooligans têm ligações estreitas com partidos fascistas, (…) as torcidas organizadas raramente se manifestam abertamente a favor de causas racistas ou chauvinistas. A participação política dessas torcidas costuma a se limitar à esfera de seus próprios clubes e à realização de práticas beneficentes. Apenas eventualmente há adesões a campanhas de determinados políticos ou a movimentos mais abrangentes.

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Mateus Resende, Abner Faustino e Rafael Orsini - Mateus Resende Alves (in memoriam), Abner Cristian Moreira Faustino e Rafael Pinho Orsini são formados em Jornalismo pela PUC Minas. Os três trabalharam sobre a temática das torcidas organizadas Galoucura e Máfia Azul analisando o Estado de Minas.
Comentário
  1. Demetrio

    Além de um sentimento regional a torcida de futebol expressa também sentimentos de acolhimento ou rejeição, o que lhe dá uma nuance ideológica. Há os times de massa e times de elite, nesses últimos o torcedor se sente parte da elite mesmo sem pertencer a ela, pertence apenas a sua ideologia de supremacia, enquanto nos primeiros o espírito de acolhimento é natural. Há também as torcidas manipuladas pelos donos da midia e as que desenvolvem um forte espírito de contestação ao status quo, ou seja à ordem social vigente.

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