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Calendário

Published by Wesley Pioest in Poetry
data: 29/09/2021

Calendario

Vagarosamente, anos passaram, passaram,

Polvilhando areia de ampulheta em meus ombros.

Vento leva areia como levasse pedaços de mim

Por aí afora, pela jornada, pelo caminho,

Pelas cidades onde enterrei a vasta cabeleira.

Parcos vestígios ainda restarão, dispersos,

Debaixo de alguma marquise onde parei um dia

Para fugir da chuva – ou naquela praça fugidia

Que a memória ora alcança, ora deixa escapulir.

Provavelmente, uma palavra talvez resista

Na penumbra, fechada qual página de livro,

Que o olho desatento não poderá decifrar.

Hoje, faço de conta que registro outro tempo

A passar como um filme em fatigadas retinas.

Vagarosamente, anos foram acumulando,

Com paciência, camadas espessas de sentimentos

Aos quais me agarro para não submergir.

À noite me abraçam, confortam, a sussurrar:

Valeu a pena. Então aquiesço e sigo adiante,

Quero espalhar ao mundo milagres derradeiros.

Eita vida longa, quanto deslumbramento!

Vento que nos trouxe, um dia nos levará.

 

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
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