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A velha senhora

Published by Wesley Pioest in Poetry
data: 19/09/2022

A Velha Senhora Capa

A idade bate à minha porta.
Estou aqui, ela diz, a sorrir
Mostrando os afiados dentes.

Eu sou um crente absoluto
E a recebo com a mesa posta
Dizendo: eu também estou.

A caneta me escapa das mãos
Um frio me percorre o ombro
E a velha senhora se apoia

No espaldar alto da cadeira.
Assim é a vida, suspira ela,
Não estamos totalmente sós.

A idade é uma velha amiga
Há mais de sessenta anos.
Quando cheguei aqui estava,

Quando me for, ficará ainda.
Tudo ao pó um dia voltará,
Ela diz, assim foi escrito.

Tomamos um café requentado,
Eu, idade, antigas lembranças,
E os dias passam novamente,

Um a um, páginas do calendário,
Diante dos meus olhos tristes,
Quando ela se ergue, a tarde cai.

Deixa no ar um leve perfume
E à despedida, beija-me a face:
Não é adeus, filho. É até logo.

A idade me visita na varanda.
Como vai? pergunta, sem sorrir,
Fique bem, a casa é sua, digo eu.

A velha me abraça longamente
Com a mais doce ternura.
Não levarei nada, e para quê?

Eu e ela, dois amigos, vamos indo
Pela estrada cujo fim é o começo
Para onde nossa sina é retornar.

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Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
Comentário
  1. antonio angelo

    Que esta “velha senhora” seja bem humorada e, estrada afora, lhe conte bons casos, até alguns chistes!
    Rumo a algum paraíso, nem que se chame Rubim!

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