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Lúcifer, a Reforma Protestante e a Teologia da Prosperidade – parte IV

Published by Editor in Religion, Evangelic Religion
data: 09/09/2022

Mansao Edir Macedo02

(continuação da parte III)

Não à demonização do sucesso!

Teologia da prosperidade, também conhecida como Evangelho da prosperidade, é uma doutrina religiosa cristã que defende que a bênção financeira é o desejo de Deus para os cristãos e que a fé, o discurso positivo e as doações para as igrejas cristãs irão sempre aumentar a riqueza material do fiel.

A Bíblia é interpretada como um contrato entre Deus e os humanos. Se estes tiverem fé em Deus, Ele irá cumprir suas promessas de segurança e abundância. Reconhecer tais promessas como verdadeiras é percebido como um ato de fé, o que Deus irá honrar.

A doutrina enfatiza a importância do empoderamento pessoal, propondo que é da vontade de Deus ver seu povo feliz. A expiação, reconciliação com Deus, é interpretada de forma a incluir o alívio das doenças e da pobreza, que são vistas como maldições a serem quebradas pela fé.

Foi durante os avivamentos de cura, healing revivals, dos anos 1950, que a teologia da prosperidade ganhou proeminência nos Estados Unidos e mais tarde ganharam proeminência no Movimento Palavra de Fé e no televangelismo dos anos 1980. Nos anos 1990 e 2000, foi adotada por líderes influentes do Movimento Carismático e promovida por missionários cristãos em todo o mundo, levando à construção de megatemplos. Dedicam se aos ensinamentos sobre o dízimo, o discurso positivo e a fé, mas também sobre responsabilidade financeira.

Teologia da prosperidade

Nos evangelhos de Lucas e Mateus a “Parábola dos Talentos”, na qual um patrão que saía em viagem confia a três servos diferentes somas de dinheiro e em sua volta premia os que fizeram o dinheiro render e pune o que não o fez, é geralmente citada para dar credibilidade bíblica à doutrina.

Também ensina que os cristãos têm direito ao bem estar e, pelo fato das realidades físicas e espirituais serem vistas como uma única e inseparável, a saúde física é associada à prosperidade econômica. É uma “teologia da vida abundante”, professando a abundância como um todo para o ser humano, o que é visto também como um caminho para o combate à pobreza social, daí a bênção divina.

No Velho Testamento enquanto o profeta Malaquias sempre foi celebrado pelos anúncios da vinda do Messias, pregadores desta doutrina chamam a atenção para suas citações sobre a riqueza física.

•          «Trazei o dízimo todo à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz Jeová dos exércitos, se não vos abrir eu as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção até que não haja mais lugar para a recolherdes» (Malaquias 3:10)

•          «Eu vim para que eles tenham vida e a tenham em abundância.» (João 10:10)

•          «Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades conforme as suas riquezas na glória em Cristo Jesus.» (Filipenses 4:19)

•          «Amado, peço a Deus que prosperes em tudo e tenhas saúde, assim como tua alma prospera.» (III João 2:)

•          «Com toda a certeza vos asseguro que ninguém há que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou bens, por minha causa e do Evangelho, que não receba, já no presente, cem vezes mais, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e propriedades, e com eles perseguições; mas no mundo futuro, a vida eterna» (Marcos 10:30)

Dízimo: abundância na Casa de Deus

As igrejas colocam grande ênfase na importância do dízimo. Os cultos geralmente incluem dois sermões, um com foco nas doações e na prosperidade, incluindo referências bíblicas ao dízimo, seguido de outro após as doações. Os líderes muitas vezes conferem uma bênção específica no dinheiro que está sendo doado, alguns até mesmo instruem os fiéis a segurar suas doações acima de suas cabeças durante a oração. Dedica-se também algum tempo à oração pelos congregados doentes durante os cultos.

Os congregados são encorajados a expressar intenções positivas sobre os aspectos de suas vidas que desejam melhorar. Estas declarações, conhecidas como confissões positivas, teriam o poder miraculoso se ditas com fé. As igrejas também encorajam as pessoas a “viver sem limites” e cultivar o otimismo em suas vidas.

Rejeitam fortemente o que veem como “demonização do sucesso”, defendem que a pobreza é uma barreira à vida cristã, argumentando que é mais fácil fazer um impacto positivo na sociedade quando se é próspero.

(continua na parte V)

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4 Comentários
  1. Elisane Caldeira

    Que texto interessante! E realíssimo, já que virou lugar comum considerar a prosperidade, riqueza, sucesso, como coisa do mal.

  2. Solange Mendes

    Na familia do meu marido todos viraram evangélicos e nos consideram menos por nao ser “salvos” e eu ja me salvei quando nasci a partir do momento que fui recebida com amor pelos meus pais.
    Deus em minha vida foi presente e sempre esta presente nas minhas atitude na solidariedade que tento exercer, no olhar afetuoso que carrego e na paz que desejo a todos e tambem carrego em mim.

  3. Antonio Carlos Santini

    Por que será que os santos vivem pobres e morrem pobres?

  4. Concessa Vaz

    Texto interessante, esclarecedor e oportuno, dada a projeção da Igreja Evangélica nestes tempos em que vivemos.
    Historicamente, o Dinheiro, além de um problema econômico, foi e continua a ser um tema de natureza religiosa e moral.
    Com efeito, na Idade Média, o Dinheiro, embora criticado pela Igreja, se fez por ela respeitado, em particular para os negócios, o que pode ser visto na eclosão dos monumentos faustosos construídos para a Glória de Deus, em cidades como Roma, Veneza, Florença e Milão. O dinheiro em si não era considerado bom nem mal, mas um instrumento cujo valor dependia de sua utilização. Foi neste último sentido que São Tomás de Aquino apreendeu o significado da Usura, em sendo um Dinheiro obtido, na forma de Juros, sobre um empréstimo improdutivo.
    O historiador medievalista francês, Jacques Le Goff, morto em 2014, nos brinda com grandes títulos a esse respeito, como “O Dinheiro na Idade Média: ensaio de uma antropologia histórica” e “A Bolsa e a Vida: a usura na Idade Média”. Vale a pena conferir.

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