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Espelhos vazios

Published by Antonio Ângelo in Poetry
data: 13/09/2021

Espelhos  vazios

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Nada do que é meu

Posso eu te dar

Pois o que tenho

A mim não pertence

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Do que possuis

Não me apossarei

Pois o que tens

A ti não pertence

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Mas se algo resta

Que supomos nosso

Bem percebemos

De nós se ausenta

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O que nos sustém

Ante o imenso vácuo

Se ao alcance apenas

Reflexos, miragens?

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O que tenho, desdenhas

Já me destes a senha

Pouco importa ao que venha

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Queres o que não tenho

E tudo o que detenho

Recusas com empenho

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Fechas-me o cenho

Perguntas a que venho

Se te ofereço meus engenhos

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Em paradoxos de Zeno

Escolhas me dás: o veneno

Ou o exílio noutro reino.

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Antonio Ângelo -
Comentário
  1. Wesley

    Ninguém duvida do seu empenho
    Por isso digo, poesia é treino!
    Parabéns ao poeta pela dicção apurada.
    Por isso digo, sou fã da sua toada.

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