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A arte de vender presunto

Publicado por Carlos Scheid em Cidadania, Crônicas Culturais, Saúde Pública
data: 22/08/2016

a arte de vender presunto

Mais de uma vez a mídia nacional veiculou campanhas publicitárias envolvendo nomes próprios em situação de zombaria e de escárnio. Naturalmente, trata-se de um desrespeito contra as pessoas que receberam esse nome. Desta vez, comete-se o abuso com a intenção de vender presunto.

Aliás, faz tempo que o nome do homem e da mulher sofrem agressões. Nas cidades do interior, principalmente nas escolas, o nome de batismo é quase esquecido, trocado por apelidos, nem sempre agradáveis, que acompanharão o indivíduo até o túmulo.

Nas salas de aula, em nome da prática, muitos professores fazem a chamada pelo número, simplesmente ignorando o nome do aluno, sem perceber que empobrecem a relação educador/educando e reduzem os estudantes a objetos numerados.

Já os romanos, no berço de nossa civilização, viam os nomes das pessoas investidos de uma aura sagrada, a ponto de afirmarem: “nomen et omen”, “assim o nome, assim o destino”, atribuindo ao nome da pessoa uma espécie de predestinação.

Desta vez a Sadia, nos países árabes conhecida como Sáida, ou seria sádica?, apõe sua chancela a uma campanha que rebaixa o nome de Luís Augusto. Escolha mal feita a partir de sua etimologia: entre os romanos, “Augusto” era o aposto dos césares, no sentido de “elevado”, “excelso” e mesmo “divino”. Será que o produto de sua própria fabricação é mesmo “augusto”, “nobre”, de qualidade?

Qualquer estudante de gastronomia já aprendeu que os alimentos processados são comida de baixa qualidade. No caso do presunto, trata-se de uma carne morta, após 8 a 10 horas de cozimento, com baixo teor de vitaminas e substâncias nutritivas. Os fabricantes adicionam à carne proteína de soja, água, espessantes, aromatizantes, corantes e conservantes.

Assim, o pernil de porco, que deveria ser o ingrediente principal, acaba tendo pequena significação no produto final.

Entre os corpos estranhos presentes no presunto, além do sal (cloreto de sódio), encontra-se: proteína vegetal de soja, açúcar, espessante carragena (INS407), estabilizante tripolifosfato de sódio (INS451i), e polifosfato de sódio (INS452i), antioxidante eritorbato de sódio (INS316), aromas naturais (pimenta vermelha, pimenta preta, cravo, canela e noz moscada), conservador nitrito de sódio (INS250), realçador de sabor glutamato monossódico (INS 621) e corante natural carmim de cochonilha (INS 120). Um deles, o nitrito de sódio, é conhecida substância carcinogênica, isto é, causa tumores cancerígenos.

Não admira que, na gíria do jornalismo policial, “presunto” seja nome dado ao corpo de uma vítima de execução.

Segundo informava o portal G1 em 1º de agosto, a Sadia será julgada pelo Conar – Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária, por uso do antropônimo “Luís Augusto” em propaganda. O uso de nome próprio em presunto de baixa qualidade gerou protestos. Para pessoas que se chamam “Luís Augusto” o comercial estimula o bullying.

De fato, uma empresa que se chama “sadia” ou “sáida” não deveria ser tão sádica…

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Carlos Scheid -
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