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À margem

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 01/07/2021

Aqui neste boteco de estrada sem destino Se encontra às sextas-feiras, à noite O solitário masculino Até alta madrugada, falam de dramas Enquanto, sem contenção Se embriagam, fumam, discutem Arremedo de teatro Ao som de canções melodramáticas Com a vida trapaceiam Este fala: paixão sem chances Aquel’outro: traições De viagens o que está ao balcão Um, da prisão recém-liberto Comenta, em palavras tortas Sobre o...

Longo aprendizado

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 31/05/2021

foi um treino demorado por meses meu avô me levou ao topo da colina para pacientemente me instruir lembro-me de seus cabelos revoltos a face vincada, alva barba de suas palavras de incentivo abria os braços, levantava uma perna depois a outra, corria como numa dança dava saltos… falava-me das chuvas e do estio dos ventos e suas direções demorada observação dos pássaros traçava no chão desenhos a explicar força...

Amores desistidos

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 28/04/2021

I Antevisto o drama Quando ela vier Aquela mulher Dizer que não o ama Há de se debulhar Em lágrimas Há de ensejar Esgrimas Inútil subverter A aritmética dos fatos Ou pegar a se revolver Em absurdos teatros Apenas a palavra final Haverá de se impor Sibilina, conformada Em definitivo desamor II Estaremos juntos Enquanto ele não estiver Passearemos, iremos ao lago Em meio à floresta À noite, ao pé da fogueira Brindarem...

Oh, não será!

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 17/02/2021

Base em tons suaves Blush nas faces, rímel realçando os cílios - capitulados olhares Lábios delineados, baton vermelho Decote desvendando tatuagens Sorriso de Garbo E sairei, sairei meu amor, nesta sexta-feira Livre, livre, livre! Mas não irei ao seu encontro Não irei – a abraça-lo, beijá-lo Entregar-me como vezes tantas fiz Buscarei outros acasos Outros roteiros – absurdos que sejam Meia-luz, abruptas cortinas se ...

Novo ano velho

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 31/12/2020

antever o ano novo como uma vidente alçando de repente desnorteado voo para um estágio de venal felicidade hipotético apanágio ao cerne da verdade curtamos a ideia nem um pouco avara de que o futuro cede ao propósito das cartas ou a poções estranhas que em rutilantes doses nos levam a nirvanas em mirífica hipnose em êxtase projetemos de maneira pueril indescritíveis planos lindos céus de anil acatemos incontinentes ...

Instável amante

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 19/11/2020

Gosto de poesia Como quem desvenda no céu Um casulo de nuvens Pouco importa se a poesia Se enverede por subúrbios Que adorne seus cabelos Que se torne de repente volúvel Na insegurança de uma teia Seguramente a poesia Pouco me serve É um desserviço Mas, continuemos, eu e ela A nos encontrar Num canto Num quintal mal cuidado Entre arbustos estéreis Que ela não me fuja Ou, se fugir Restar-me-ão às mãos Este delíquio,...

Poesia do confinamento – I

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 17/09/2020

Refletia ela nos olhos luzes intermitentes De um neon cor fúcsia piscando na parede Pouco se lixava para esta história De quarentena e cuidados outros Depois de se embebedar, ficava a tecer Filosofias um tanto desconexas Como a respeito de comportamentos Suas convicções, credos Fumava um cigarro após outro E beber, como bebia! Mas, sejamos claros Uma pessoa que importava Que não merecia se acabar Como acabou De maneira t...

“Please I Can’t Breathe”

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 15/06/2020

Por demais tarde E o momento não permite Concomitância de astros Sangue e lua Grito e choro O ar que falta A face contra o asfalto Cenário de Goya Norte? Sul? Indiferente Nem o vento Que ora sopra Sabe nos mostrar Para onde fugir Comecemos pelo que intuímos Vai dar em caos, guerras Irmãos matando irmãos Carnificina, estupros E as mãos que reagiriam Tentando a sobrevivência Estão às costas atadas O que não se vai esq...