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Recuerdo

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 22/10/2019

Querido, estou indo embora deixo comida na geladeira a casa arrumada Roupas da semana camisas, calças e as demais todas limpas e passadas no armário As contas que chegaram as a vencer sobre a cômoda Por um tempo, foi bom não nego depois algo desandou No decorrer dos anos olha que não poucos Fastio? Desencanto? Não, não o esperarei à porta não nos estenderemos na cama “Como si fuera ésta noche la última vez” Na g...

Franciscana

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 01/10/2019

Zuzu Angel || Créditos: Reprodução Instituto Zuzu Angel Mirando-me no exemplo daquelas mulheres nem mesmo assim pude ter o prêmio de suas atenções, cantigas, poemas Foram penas sem conta embarques sem destino, cadenas embustes, embates intestinos sem nunca ao retornar ter suas carícias plenas Fingi-me de Ana de Amsterdã não me esquivei de ser Joana a Francesa – (Rita, capaz de tudo Chica doidivanas causando perd...

Tarde ainda que

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 23/08/2019

Marília está na cidade Em meio ao caos Vemos quando - No canteiro da grande avenida - Posa para fotos À direita e à esquerda O furor dos veículos Gás carbônico, odores, buzinas, sirenes No sinal à frente, em tempo medido Transeuntes entrecruzam-se nas faixas Veste um longo negro Faz poses, expressões, bocas Puxa o cabelo para frente Dobra a perna, a coxa à mostra O fotógrafo explorando ângulos Quantos parados a obs...

Para onde correm nossos rios?

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 30/07/2019

Alberto Caieiro é quem diz: O rio da minha aldeia não faz pensar em nada Quem está ao pé dele está só ao pé dele Para o Poeta, o Tejo não é mais belo que o rio Que corre em sua aldeia. O Tâmisa escorre grandioso por Londres Vi pessoas pescando à beira do Sena Mississipi, Nilo, quantos maravilhosos rios Mas o que me interessa, são os rios de minha aldeia. Pobres e vilipendiados rios de minha terra A que ponto os lev...

A inconsistência dos dias

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 25/07/2019

Que dia é este Que escorre das venezianas Com sua luz leitosa? Lá fora o inverno governa impiedoso Vejo sobre a mesa de cabeceira a cristalização Da cínica implacabilidade das horas Papéis se amontoam ao pé da cama Ligo a televisão e a monotonia rotineira Em nada pode me animar Os dias, que são os dias afinal? Como livros aos milhares numa biblioteca As lombadas dispostas para as decifrarmos Sem que nossos olhos nelas...

Atentai

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 08/07/2019

Nós, os que menos temos é que dividiremos nossas parcas rendas com os que nada têm Nós, os que menos temos é que calejaremos nossas mãos plantando para os que não têm o que comer Nós, os que menos temos é que acolheremos em nossos barracos os que não dispõem de moradia E vós que atulhais de dinheiro suas contas bancárias como se aí estivésseis em segurança que banqueteais à tripa forra desconhecendo a miséri...

Sem surpresa

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 26/06/2019

Não me admiraria Ver ao despertar O sol nascendo a oeste Nem se a lua diáfana Aparecesse sobre os telhados Que riscam o horizonte ao norte O mundo vive na imprevidência Onde os cálculos se avolumam Mas deixam escorrer em seus portões Inesperados fenômenos Eclosão do não previsível A instabilidade da maquinaria Da vida, da natureza Dos átomos, células e astros Que fogem a tudo que a ciência Plenipotenciária entende...

Reféns

Publicado por Antonio Ângelo
Data da publicação: 24/05/2019

Como, se ainda ontem buscavam-se um ao outro? Se se beijavam, se entrelaçavam? Brincadeira, só pode ser o agora dizer: tudo acabado Mas pode ser que um gesto, um descuido À semi-luz se tocarão as epidermes coladas e ei-los de novo enredados na lisérgica rede do prazer Compartilhar este Artigo