
.Autor desconhecido (desenho na Urbe)
.
Sem nos dar conta
Do que efetivamente é o tempo
O aprisionamos ao relógio
E – sem discutir
Como uma infindável manada
Nos apegamos rigidamente
Ao que determina o cronômetro
Pouco nos importa se com isto
Estejamos em verdade ocultando
O que é a substância
Desta entidade chamada Tempo
Numa sequência infindável de segundos,
minutos, horas
Dias, meses, anos
Vamos compondo displicentes o rosário das ocorrências
A maioria desimportante
Na tola expectativa de que somemos um século
Dentro do invólucro da maquininha
Tic-tac-tic-tac-tic-tac
Depositamos todos os nossos desejos e expectativas
E nos assustamos quando percebemos
Que no seu lento passar
A engrenagem nos leva inevitavelmente
A um lugar onde sequer imaginávamos
Ser possível estar
Minha mãe, que mal se lembra do que se passou
há minutos atrás
Mas se recorda dos idos de sua infância,
juventude
Do início da formação de sua família
Minha mãe – esta sim
Vendo com seus olhos baços além de uma demarcação
que nos é desconhecida
Ela sim, parece que enfim descobriu a dimensão exata
Do que efetivamente compõe o tempo
Artigos Relacionados
Comentários