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Padre Jonas Abib, instrumento de Deus em nossas vidas, é o fundador da Comunidade Canção Nova. E a Comunidade traz em seu nome a palavra “canção” por causa da importância da música na vida de seu fundador.
Na excelente biografia do Pe. Jonas – Eu Acredito em Milagres, Ed. Canção Nova, 2006 –, de autoria de Gabriel Chalita, vemos várias fotos dos tempos de seminário, onde ele participava de uma verdadeira orquestra de seminaristas. Coisa que não se faz sem estudo e formação musical.
O próprio Pe. Jonas fala de suas primeiras experiências do uso do violão e dos cânticos para evangelizar. Ele narra: “Criamos uma orquestrinha. Eu mesmo fazia a orquestração para nossos instrumentos, escrevia todas as partituras. Preparava também as cópias para cada músico. Era um trabalhão. Mas fizemos boas coisas, graças a Deus!”
Aqui, devo destacar duas palavras: PARTITURAS (não tocavam de ouvido ou, como diz um amigo músico, “de orelhada”) e TRABALHÃO (não se faz boa música sem trabalho, dedicação, suor, ensaio, persistência).
Comecei a acompanhar pessoalmente o trabalho musical do Pe. Jonas a partir de 1979. Não só nos encontros de fim de semana ou no 1º Rebanhão (Cruzeiro, SP – 1979) e, depois, pela Rádio Canção Nova, mas naquelas primeiras fitas K7 gravadas no “estúdio” anexo à cozinha da Casa de Maria, em Queluz. Como tudo que vem de Deus, começava simples; dava para ouvir, no fundo da gravação, o galo cantando no quintal e o latido dos cachorrinhos.
Ainda tenho em minha estante aqueles LPs do começo: “Canções para Orar no Espírito”, com o selo epd (Paulinas) e “O Amor Vencerá” (1977). O “estilo” musical do Pe. Jonas era marcado por uma execução firme, alegre e – é aqui que eu quero chegar – uma execução viril. Nada de sentimentalismo barato, nada hidroçucarado, nenhum devaneio artístico, mas uma mensagem em que dominava um traço de “decisão”. Meu amigo, o diácono Nelsinho Correa, pode confirmar isto.
Aliás, no início da Renovação Carismática no Brasil, tivemos uma influência positiva do México (especialmente com o Pe. Jaramillo), da Colômbia e da Argentina. Ver, por exemplo, as composições de Miguel Manzano e Palito Ortega. Eram cânticos vibrantes, como ouvi em meu primeiro contato com a Canção Nova, naquela noite em Piquete, SP, em uma igreja de formato hexagonal onde todos cantavam (para meu espanto, sem nenhum papelzinho na mão), acompanhados somente por um baixista barbudo (parece que a guitarra faltou…).
No LP “O Amor vencerá”, apresentado por Pe. Zezinho, as letras do Pe. Jonas trazem uma mensagem luminosa, uma música solar, sem luares românticos.
O céu, a terra, o mar
te louvam, Senhor.
Te louvam a flor, o fruto, o pão,
te louvam, Senhor
Um sopro de esperança atravessa seus textos:
Mundo novo vem aí,
Gente de coragem vai lutar.
A verdade vencerá.
E as janelas abertas para a luz:
Eu busco um mundo de sol,
eu busco um mundo de luz,
procuro a pátria do amor, meu Deus,
procuro sem descansar.
* * *
A música na Igreja Católica, mesmo quando solene ou meditativa, nunca foi efeminada. Vale lembrar o tom dramático do “Dies Irae” (sequência da antiga missa de Finados) ou a vibração contagiante do “Lauda Sion Salvatoris” (sequência de Corpus Christi). Ou as multidões entoando “Queremos Deus, homens ingratos!”
De uns tempos para cá – talvez por influência da música norte-americana, de uma terra dominada pelo inverno – nossos compositores e cantores estão “enluarados”, anoitecidos. Quem levanta tarde não vê o sol… E aquele traço de virilidade parece extinto. São canções lânguidas, edulcoradas, excessivamente intimistas.
Já por volta de 1988, em visita a uma comunidade de Curitiba, eu ouvi a queixa de que o Pe. Jonas havia gravado um dos cânticos “deles”, mas lhe dera um andamento mais rápido que aquele adotado entre eles. Não gostaram. E é verdade. Mesmo um de meus cânticos – “Convite” – recebeu uma certa “aceleração” na gravação da Canção Nova, ficando quase marcial. A visão musical do Pe. Jonas era de um instrumento de convencimento, de motivação, de conversão. E não de uma delicada fruição estética acompanhada de suspiros e lágrimas.
No céu não há lágrimas, garante o Apocalipse (21,4). Se vocês querem ensaiar para o céu, comecem a fazer cânticos alegres, vibrantes, ensolarados. Pe. Jonas vai agradecer…
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