Tamanho da Letra: [A-] [A+]

As tardes eram azuis

Publicado por Wesley Pioest em Poesia
data: 17/10/2018

As tardes eram azuis

há retratos desbotados
que nunca se apagarão
no fragmento da memória
as tardes eram azuis

bem azuis, debaixo do céu
e um coração palpitava
no sonho daquele menino
resplandecente que eu era

a cidade, de tão pequena
mal me cabia no bolso
que a irmã costurara
no algodão xadrez da loja

um menino que atravessa
a praça inteira e a vida
terá poema recitado
no alto falante da igreja

seu sorriso vai abrir
a lona imensa do circo
que a lua esconderá
no lençol alvo do tempo

mas o tempo azul desbotado
quem haverá de dobrar
estendido num varal
com a tarde nele impressa?

Compartilhar este Artigo

Leia mais artigos em Poesia

Wesley Pioest - Nasceu em Rubim, estudou em Belo Horizonte, passou por Itacarambi, Muriaé e passa atualmente por Gonzaga. Sempre em Minas. Seu vale é o Jequitinhonha, de onde veio e para onde há de voltar dentro em breve, por bem ou por mal. Publicou a Revista “Liberdade”, os livros “Impressões da Aurora”, “Jequitinhonha – Antologia Poética I e II”, “A Fala Irregular” e “Cabrália”. Parceiro inconstante de Rubinho do Vale, Vagner Santos e Romeu Santos em letras para canções.
Comentário
  1. Antonio Angelo

    Belo poema, Wes!
    A poesia continuará estendo seus azuis, mesmo quando desbotados, mesmo que a paisagem seja impiedosa e áspera como num Saara.

Deixe um comentário