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Costumes antigos

Publicado por Sebastião Verly em Crônicas, Memórias
data: 06/03/2017

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Despertar cedo, às 6 horas em média, uma oração e um nome do pai. Arrumava-se a própria cama, com o cobre-leito ou colcha e colocava a roupa de dormir sob o travesseiro. Aos domingos, levantava-se um pouco mais tarde a tempo de ir à missa das 10.

Quem trabalhava fora, aprontava-se logo para chegar no horário. As mulheres usavam perfumes suaves, o batom e às vezes, um rouge para dar um colorido no rosto. Chegou um tempo que se usava um lápis preto nas sobrancelhas e na base dos cílios. Os homens barbeavam-se mesmo sem se escanhoar todos os dias. Usava-se o álcool no rosto, até que apareceu a Aqua Velva bem mais suave e perfumada.

O emprego no trabalho era para durar. Esmerava-se por trabalhar direito para ser promovido ou ganhar um aumento. Os aumentos eram individuais. Salvo os funcionários públicos e bancários que tinham aumentos padronizados.

As crianças eram bem cuidadas, havia sempre talco perfumado, que as mantinha sequinhas e saudáveis. Sem assaduras. As de idade escolar faziam os deveres, a lição, e logo se preparavam para ir para a escola que ficava próxima. As maiorzinhas eram sempre orientadas para cuidar da própria segurança. E um arranhãozinho era tratado com mercúrio cromo. Até que chegou o mertiolate. Esparadrapo só em cortes mais sérios.

À tarde, os jovens aprontavam-se para ver a namorada. Namoro em casa, às vezes, uma ida ao cinema ou ao teatro sempre acompanhados de familiares da moça. Existiam raros aparelhos de TV, ouvia-se música em vitrolas com discos de vinil ou no rádio que transmitia as notícias e até novelas.

Em algumas casas, havia uma empregada doméstica que cuidava da arrumação da casa, do almoço e, se havia crianças, de tomar conta delas. A comida era simples: arroz, feijão, bife de carne de vaca, frango cozido ou assado, lombo de porco ou peixe. Salada de tomate e alface. Batata frita era uma iguaria. Antes de refogar o arroz e cozinhar o feijão era preciso catar marinheiros e pedrinhas.

O traje feminino primava pelo habitual vestido ou saia e blusa. Para os homens calça e camisa de manga curta, ou terno com camisa de manga comprida, paletó e gravata para ocasiões especiais.

E os casais cumpriam suas obrigações matrimoniais, consolidadas no 9º mandamento da Tábua de Moisés, tudo no mais profundo amor e respeito, mas quando havia uma transgressão a ordem social atuava rigorosamente através das atitudes de censura, recriminação e distanciamento. Até os sermões da missa dominical poderiam ser usados para uma descompostura velada ou aberta.

Um casal tinha muitos filhos. A família era sagrada e todos zelavam pela reputação e pelo sobrenome. À tarde, depois do trabalho, a volta para casa. Um jantar simples. Na hora de dormir, uma reza habitual em agradecimento a Deus pelo dia. Pedia se a bênção aos pais, tios, padrinhos e avós.

Havia mais segurança e as ruas eram mais calmas. Existiam poucos carros. As pessoas andavam a pé. O pedestre tinha preferência. As ruas eram de terra ou de paralelepípedos. As crianças brincavam nas ruas e calçadas ou passeios. Água encanada ainda era raridade e as pessoas precisavam tirar água de cisternas, ou buscar baldes de água para lavar as louças, roupas, cozinhar ou tomar banho. Era comum matarem galinhas e porcos no quintal de casa, onde também se colhiam verduras e legumes de uma horta. Fogões a gás eram raros. Onde não existia geladeira as carnes eram cozidas em fogões a lenha e armazenadas em latões, mergulhadas em gordura de porco para conservarem.

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As amizades eram respeitosas, duradouras, as visitas frequentes. Com os escassos telefones, privilégio das casas mais ricas, se faziam os chamados telefonemas, que eram atos revestidos de solenidade. As famílias se reuniam nas varandas das casas para conversar com os vizinhos enquanto as crianças brincavam na rua. As brincadeiras mais comuns nessa época eram: cantiga de roda, pega-pega, esconde-esconde, passar anel, bolinha de gude, e similares.

As pessoas planejavam mais a vida e era forte o sentimento de honrar os compromissos.

Milton Campos, Luiz Carlos Prestes, Gustavo Capanema e Juscelino eram políticos que tinham credibilidade e respeito de seus apoiadores.

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Sebastião Verly - Sociólogo, Cronista, residente em Belo Horizonte - MG.
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